Teu pastor

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Este doce e gentil pastor, que por 33 anos correu atrás da ovelha perdida e sem rumo, chamando-a até perder a voz e ferindo-se nos espinhos até derramar todo o seu sangue para trazê-la de volta dos despenhadeiros e veredas perigosas para um caminho santo e seguro, da perdição à saúde, da ferida ao remédio, da morte à vida, como poderia ficar indiferente à ovelha que o segue na obediência aos seus santos preceitos, ou que ao menos tem o desejo sincero (ainda que imperfeito e fraco) de o fazer? Como poderia não voltar para ela os Seus olhos de vida e misericórdia, ou, ao ouvir os seus gemidos, não a colocar amorosamente sobre os Seus ombros, alegrando-se com os anjos do céu pela volta do seu rebanho e pela troca do pasto venenoso e mortal do mundo pelo manjar suave e farto da virtude? Ele que, com tanto ardor e diligência, buscou a dracma perdida do evangelho, que é a figura do pecador, como poderia abandonar a quem, triste e aflito por não ver o seu pastor, o busca e o chama?

(Lorenzo Scupoli – O Combate Espiritual)

“Todos devem ter presente a perspectiva da morte”

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‘Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.» Estas palavras recordam-me a última chamada, que acontecerá no momento em que o Senhor quiser. Desejo segui-Lo e desejo que tudo o que faz parte da minha vida terrena me prepare para esse momento. Não sei quando Ele virá mas, como tudo, também deponho esse momento nas mãos da Mãe do meu Senhor: ‘totus tuus’. Nas mesmas mãos maternas deixo tudo e todos aqueles com os quais a minha vida e a minha vocação me puseram em contato. Nas suas mãos deixo sobretudo a Igreja, e também a minha nação e toda a humanidade. A todos agradeço. A todos peço perdão. Peço também orações, para que a misericórdia de Deus seja maior que a minha debilidade e indignidade (06/03/1979). […]
Todos devem ter presente a perspectiva da morte. E devem estar preparados para se apresentarem diante do Senhor e Juiz, que é ao mesmo tempo Redentor e Pai. Também eu tomo isto continuamente em consideração, entregando este momento decisivo à Mãe de Cristo e da Igreja, à Mãe da minha esperança. […]
Desejo mais uma vez confiar-me totalmente à vontade do Senhor. Ele mesmo decidirá quando e como devo terminar a minha vida terrena e o meu ministério pastoral. Na vida e na morte, ‘totus tuus’, pela Imaculada. Aceitando já agora esta morte, espero que Cristo me conceda a graça para a última passagem, isto é, a minha Páscoa. Espero também que a torne útil para esta causa suprema que procuro servir: a salvação dos homens, a salvaguarda da família humana e, nela, de todas as nações e de todos os povos (entre eles, o meu coração dirige-se de maneira particular para a minha Pátria terrena), ser útil para as pessoas que de modo particular me confiou, para a vida da Igreja, para a glória do próprio Deus

(João Paulo II)

Exaltação da Santa Cruz

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Hoje Nosso Senhor Jesus Cristo está na cruz e nós estamos em festa, para que saibais que a cruz é uma festa e uma celebração espiritual. Antigamente, a cruz designava um castigo; hoje, tornou-se objecto de honra. Outrora símbolo de condenação, ei-la, hoje, princípio de salvação. Porque para nós ela é a causa de inumeráveis bens: libertou-nos do erro, iluminou-nos nas trevas e reconciliou-nos com Deus; fôramos para Ele inimigos e longínquos estrangeiros, e ela deu-nos a sua amizade e fez-nos aproximar-nos dele. A cruz é para nós a destruição da inimizade, o penhor da paz, o tesouro de mil bens.

Graças a ela, deixámos de errar pelos desertos, porque conhecemos agora o verdadeiro caminho. Não ficamos do lado de fora do palácio real, porque encontrámos a porta. Já não tememos as armas inflamadas do diabo, porque descobrimos a fonte. Graças a ela, saímos do estado de viuvez, porque reencontrámos o Esposo. Não tememos o lobo, porque temos o bom pastor. Graças à cruz, não receamos o usurpador, porque moramos ao lado do Rei.

Eis porque estamos em festa ao celebrar a memória da cruz. O próprio São Paulo nos convida à festa em honra da cruz: «Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da pureza e da verdade» (1Cor 5,8). E deu ainda a razão para tal honra, dizendo: «Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado por nós»

(São João Crisóstomo)

Invoca Maria!

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’O nome da virgem era Maria’ (Lc 1,27). Esse nome, que dizem significar ‘estrela do mar’, convém admiravelmente à Virgem Mãe. Nada é mais justo do que compará-la a uma estrela que dá a sua luz sem se alterar, tal como deu à luz o seu Filho sem danificar o seu corpo virgem. Ela é efetivamente essa nobre ‘estrela surgida de Jacó’, cujo esplendor ilumina o mundo inteiro, que brilha nos céus e penetra até aos infernos. Ela é verdadeiramente essa linda e admirável estrela que havia de elevar-se acima do mar imenso, cintilante de méritos, iluminando pelo exemplo.
Vós todos, quem quer que sejais, seja o que for que sentirdes hoje, em pleno mar, sacudidos pela tormenta e pela tempestade, longe da terra firme, mantende os olhos na luz dessa estrela para evitar o naufrágio. Se se levantarem os ventos da tentação, se vires aproximar-se o escolho das provações, olha para a estrela, invoca Maria! Se te sentires sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência ou do ciúme, eleva os olhos para a estrela, invoca Maria. Se te sentires perturbado pela enormidade dos teus pecados, humilhado pela vergonha da tua consciência, assustado pelo temor do julgamento, se estiveres a ponto de naufragar nas profundezas da tristeza e do desespero, pensa em Maria. No perigo, na angústia, na dúvida, pensa em Maria, invoca Maria!
Que o seu nome nunca saia dos teus lábios nem do teu coração. Seguindo-a, não te perderás; rezando-lhe, não desesperarás; pensando nela, evitarás enganar-te no caminho. Se Ela te agarrar pela mão, não te afundarás; se Ela te proteger, nada temerás; conduzido por Ela, ignorarás a fadiga; sob a sua proteção, chegarás ao objetivo. E compreenderás, pela tua própria experiência, como são verdadeiras essas palavras: ‘O nome da virgem era Maria’.

(São Bernardo)

O que é a Santidade?

Deves entender que a santidade não consiste em outra coisa além do conhecimento da bondade e grandeza de Deus e da nossa nulidade e inclinação a toda espécie de mal; do amor por Ele e da indiferença por nós mesmos; da submissão não só a Ele, mas a toda a criatura por causa dEle; da renúncia total à nossa vontade, da total resignação à providência e do fazer tudo isso simplesmente pela glória de Deus e pelo puro desejo de agradá-lo, porque Ele tem todo o direito de ser amado e servido por suas criaturas.
(Lorenzo Scupoli - O Combate Espiritual)

  

Subir à arvore da Cruz

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Escrevo-vos com o desejo de que sejais um bom e corajoso pastor, que apazigue e governe com zelo perfeito as ovelhas que vos foram confiadas, imitando assim o doce Mestre da verdade, que deu a sua vida por nós, ovelhas transviadas, que estávamos longe do caminho da graça. É verdade que não o podemos fazer sem Deus e que não podemos possuir Deus permanecendo na terra. Mas eis um doce remédio: quando o coração é pequeno e humilde, é preciso agir como Zaqueu, que não era grande e subiu a uma árvore para ver Deus. O seu zelo fez com que merecesse escutar essa doce palavra: ‘Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.’
Devemos fazer assim quando somos baixos, quando temos o coração pequeno e pouca caridade: é preciso subir à árvore da mui santa cruz e de lá veremos e tocaremos Deus. Lá encontraremos o fogo da sua caridade inexprimível, o amor que O conduziu até à vergonha da cruz, que O exaltou e O fez desejar, com o ardor da fome e da sede, honrar seu Pai e obter a nossa salvação. Se assim quisermos, se a nossa negligência não levantar obstáculos, poderemos, subindo à árvore da cruz, realizar em nós essa palavra saída da boca da Verdade: ‘Quando Eu for elevado da terra atrairei todos a Mim’ (cf Jo 12,32 Vulg). Com efeito, quando a alma se eleva deste modo, vê as benfeitorias da bondade e do poder do Pai, vê a clemência e a abundância do Espírito Santo, esse amor inexprimível que prega Jesus ao madeiro da cruz. Nem os pregos nem cordas podiam prendê-Lo ali: somente a caridade. Subi a essa santa árvore onde se encontram os frutos maduros de todas as virtudes que o corpo do Filho de Deus nos traz; correi com ardor. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Doce Jesus, Jesus amor.

(Santa Catarina de Sena)

Os dois eus

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“(…) a vida cristã é uma luta. Uma luta penosa, com várias vicissitudes, que somente termina com a morte. Luta de extrema importância, pois o que está em jogo é a vida eterna. Como ensina São Paulo, há em nós dois homens: a) o homem regenerado, o homem novo, com inclinações nobres, sobrenaturais e divinas, produzidas em nós pelo Espírito Santo, em razão dos méritos de Cristo, da intercessão da SS. Virgem e dos santos. Procuramos corresponder a essas inclinações colocando em ação, sob o influxo da graça atual, o organismo sobrenatural que Deus nos deu; b) Contudo, paralelamente há em nós o homem natural, o homem carnal, o homem velho, com más inclinações, cujas raízes o batismo não arrancou de nossa alma. É a tríplice concupiscência, que herdamos dos primeiros pais, e que o mundo e o demônio avivam e intensificam. É uma inclinação habitual que nos leva ao amor desordenado dos prazeres sensuais, da nossa própria excelência e pelos bens terrenos. Esses dois homens fatalmente entram em conflito. A carne, ou o homem velho, deseja e busca o prazer sem ater-se à moralidade. O espírito faz lembrar que há prazeres proibidos e perigosos que, por dever e porque é vontade de Deus, deve-se renunciar. Porém, como a carne persiste em seus desejos, a vontade, ajudada pela graça, fica obrigada a mortificá-la e, se for preciso, a crucificá-la. Assim, o cristão é um soldado (II Tim 2,1), um atleta que combate até a morte por uma coroa imortal.”

(Adolphe Tanquerey, Tratado de Teologia Ascética e Mística)

Eis o Coração que tanto amou os homens!

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Contempla, ó homem que foste salvo, Aquele que por ti foi pregado na cruz. Levanta-te, tu que amas a Cristo, sê como a pomba ‘que faz o seu ninho no fundo da fresta’ (Jr 48,28); aí, ‘como o passarinho que encontrou a sua morada’ (Sl 83.4), vigiarás permanentemente, e como a toutinegra abrigarás os teus filhinhos e estenderás a boca para ‘beber água das fontes da salvação’ (Is 12,3). Com efeito, essa é ‘a fonte que, brotando no meio do Éden, se divide em quatro braços’ (Gn 2,10) e, derramada nos corações dos fiéis, irriga e fecunda a terra inteira. [...]
Corre, pois, até essa fonte de vida e de luz com um vivo desejo, sejas tu quem fores, e, no teu amor a Deus, grita-Lhe com toda a força do teu coração: Ó beleza inefável do Altíssimo, esplendor puríssimo da luz eterna, vida que vivificas toda a vida, claridade que iluminas toda a luz e conservas em eterno fulgor os diversos astros que brilham diante do trono da tua divindade desde o início dos tempos! Ó torrente eterna e inacessível, límpida e suave, cuja fonte está escondida aos olhos de todos os mortais! A tua profundeza é sem fundo, a tua altura sem limites, a tua largura sem margens, a tua pureza sem qualquer mancha. É de Ti que emana "o rio que alegra a cidade de Deus" (Sl 45,5), para que Te cantemos hinos de louvor, "em explosão de alegria e de ação de graças" (Sl 41,5), pois sabemos por experiência que "junto a Ti está a fonte da vida e na tua luz veremos a luz" (Sl 35,10).

(São Boaventura)

O sacramento da confirmação

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Considerai antes de tudo que a Confirmação é um sacramento por cuja virtude o fiel, se devidamente disposto, recebe o Espírito Santo juntamente com todos os seus dons e graças, a fim de tornar-se um cristão forte e maduro. Os Apóstolos foram confirmados de um modo maravilhoso pela descida visível do Espírito Santo no dia de Pentecostes; os demais fiéis, no entanto, haviam de ser confirmados por seus ministros, sucessores dos Apóstolos, ou seja, pelos Bispos da Igreja de Deus: "Eles rezaram [...], impuseram-lhes as mãos e receberam o Espírito Santo" ( At 8, 15.17; cf. 19, 6).

Dai graças ao Senhor por esta sagrada instituição, da qual Ele se serve para perpetuar na Igreja o envio de seu Espírito e a comunicação de suas graças. Que dignidade! que alegria é receber o Espírito Santo, Senhor do céu e da terra, fonte inesgotável de toda graça! Ele, que é liberalíssimo em compartilhar os próprios tesouros, os leva consigo onde quer que sopre. Quantos, pois, fazem guerra a si mesmos, quer por rejeitarem este grande meio de receber o Espírito Santo, quer por dele se aproximarem sem as devidas disposições, privando-se assim dos seus benefícios, quer enfim por ousarem pervertê-lo em causa de condenação!

Considerai agora que a graça própria e peculiar deste sacramento é a transmissão de uma fortaleza celeste, quer dizer, de uma força espiritual, um valor e coragem que permitam nos mantenhamos fiéis a Deus e combatamos os inimigos, tanto visíveis como invisíveis, da nossa fé. Por força deste sacramento, convertemo-nos em soldados de Cristo; alistamo-nos nas fileiras desse grande Rei; pomo-nos sob a sua bandeira; somos marcados na fronte com o sinal da sua Cruz, emblema de todas as suas tropas; e, armados adequadamente, empenhamo-nos em lutar ao seu lado contra o mundo, a carne e o demônio.

Oh! quão glorioso é ostentar o título de soldado de Cristo! Quão gratificante é servi-lO! Mas o que lucramos em seguir a Cristo como nosso capitão e ter o seu Santo Espírito para nos guiar, fortalecer, animar e defender? Oh! nobre é a retribuição que um tão grande Rei dá aos que combatem ao seu lado! Pois é Ele mesmo a recompensa, e para todo o sempre: "Sê fiel até a morte", disse Ele, "e te darei a coroa da vida" ( Ap 2, 10).

Considerai por fim que no sacramento da Confirmação a alma é consagrada a Deus de um modo peculiar pela unção derramada por esse Santo Espírito, ao mesmo tempo que a fronte é ungida com o Santo Crisma, uma mistura de óleo e bálsamo solenemente consagrada na Quinta-feira Santa pelos Bispos da Igreja de Deus e guardada nas igrejas com toda a reverência, para ser utilizada apenas na consagração dos objetos mais solenemente dedicados a Deus ou mais estreitamente destinados ao culto divino. Por isso, a Igreja emprega este santo óleo na Confirmação para fazer-nos compreender que nela também nós somos santificados, oferecidos e consagrados solenemente a Deus para sermos templos do seu Espírito; pois assim como a unção e consagração do corpo são sinais externos da unção e consagração invisíveis da alma por obra do Espírito de Deus, assim também todos os demais sacramentos são sinais externos da graça interna.

Cristãos, que pensais dessa consagração de vossas almas? Já vos considerastes a vós mesmos um povo entregue de forma especial a Deus e santificado pelo unção do seu Espírito? Refletistes alguma vez que fostes santificados com a mesma consagração com que se dedicam ao serviço divino os altares e templos de Deus? De agora em diante não vos esqueçais disso, e permiti que vossas vidas manifestem que sois templos vivos do Deus vivo.

Fazei, em conclusão, o propósito de ter em alta conta a graça de vossa Confirmação e de viver à altura do caráter com que fostes selados. Procurai comportar-vos sempre de modo a crescerdes na perfeição cristã e vos tornardes soldados de Cristo. Que não recebais inutilmente tão preciosa graça.

Por D. Richard Challoner — Liturgia Latina | Tradução: Equipe CNP

Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/o-sacramento-dos-soldados-de-cristo

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Em comemoração aos 100 anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal e dos 300 anos do encontro da Imagem da mesma Senhora nas águas do rio Paraíba, lançamos o e-book “A Virgem Maria”. trata-se de uma coletânea de posts já publicados aqui sobre a Santíssima Virgem. Nesse mês e ano marianos, é um bom auxílio em nossas meditações. (Escolha os formatos abaixo e clique no ícone correspondente para baixar)

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