Nova Criação

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Esse dia é o primeiro dia duma nova criação. Neste dia Deus criou ‘um novo céu e uma nova terra’. Neste dia é criado o verdadeiro homem, feito ‘à imagem e semelhança de Deus’ . Vê o mundo que foi inaugurado neste dia, neste ‘dia que o Senhor fez’. Este dia aboliu a dor da morte e colocou no mundo ‘o primogénito de entre os mortos’. Neste dia, a prisão da morte foi destruída, e os cegos recuperaram a vista, porque o astro do alto elevou-Se ‘para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte’.
Apressemo-nos, nós também, a contemplar esse espetáculo extraordinário, para não sermos ultrapassados pelas mulheres. Tenhamos nas mãos os aromas que são a fé e a consciência, pois neles está ‘o bom perfume de Cristo’. Não procuremos mais ‘O que está vivo entre os mortos’ , porque o Senhor repudia os que O procuram assim, dizendo: ‘Não Me detenhas’. Não representes na tua fé a sua condição corporal de servidão, mas adora Aquele que está na glória do Pai, na ‘condição de Deus’; e esquece a ‘condição de escravo’.
Escutemos a boa nova trazida por Maria Madalena, mais rápida que o homem graças à sua fé. E que boa nova nos traz ela? A que não vem ‘da parte dos homens, nem por meio de homem algum, mas por meio de Jesus Cristo’. ‘Escuta’, diz ela, ‘o que o Senhor nos ordenou que vos digamos, a vós a quem Ele chama irmãos’: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus’. Que bela notícia! Aquele que, por nossa causa, Se tornou como nós, para fazer de nós seus irmãos, arrasta consigo todo o género humano para o verdadeiro Pai. Aquele que pelos seus numerosos irmãos, Se tornou, através da sua carne, primogénito da boa criação, atraiu a Si toda a natureza.

(São Gregório de Nissa)

No madeiro da cruz

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Ao contrário da árvore produtora de morte,
Plantada no meio do Paraíso,
Tu levaste aos ombros o madeiro da Cruz
E carregaste-o até ao lugar do Gólgota.

 
Conforta a minha alma, caída no pecado,
Debaixo de carga tão pesada!
Conforta-a, graças ao ‘jugo suave’
E ao ‘fardo leve’ da Cruz.

À sexta-feira, às três horas,
Dia em que o primeiro homem foi seduzido,
Foste pregado na Cruz, Senhor,
Ao mesmo tempo que o malfeitor e ladrão.


As tuas mãos, que haviam criado a Terra,
Estendeste sobre a Cruz, ao contrário
Das de Adão e Eva, estendidas para a árvore
Onde foram colher a morte.


A mim, pecador como eles, e até muito mais
Do que eles, perdoa, Senhor, os delitos,
Como já a eles perdoaste na região
Donde toda a esperança foi banida.

 
Tendo subido à Santa Cruz,
Toda a transgressão humana apagaste
E ao inimigo da natureza humana
Nela cravaste para sempre.


Fortalece-me sob a proteção
Desse Santo Signo, sempre vencedor,
E mal ele apareça a oriente
Ilumina-me com a sua luz!


Ao ladrão que estava à tua direita
Abriste as portas do Paraíso:
Assim Te lembres de mim quando vieres
Na realeza de teu Pai!


Assim eu próprio possa um dia
Ouvir proclamar a sentença que faz exultar:
‘Hoje mesmo estarás comigo
No jardim do Éden, tua primeira pátria!’

(São Narsés Snorhali)

 
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