Convertamo-nos irmãos, convertamo-nos depressa.

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João Batista proclamava: 'Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus' (Mt 3,1). Bem-aventurado João, que quis que a conversão precedesse o julgamento, que os pecadores não fossem julgados mas recompensados, que os ímpios entrassem no Reino e não na punição. Quando proclamou João esta iminência do reino dos Céus? O mundo estava ainda na sua infância; mas para nós, que hoje proclamamos essa iminência, o mundo está extremamente velho e cansado. Perdeu as forças, perde as faculdades; os sofrimentos acabrunham-no; clama o seu enfraquecimento, ostenta todos os sintomas do fim.
Vamos a reboque de um mundo que se evade; esquecemos os tempos que aí vêm. Estamos ávidos de atualidade, mas não temos em consideração o julgamento que se aproxima. Não acorremos ao encontro do Senhor que chega.
Convertamo-nos irmãos, convertamo-nos depressa. O Senhor, pelo fato de tardar, de ainda esperar, revela o seu desejo de nos ver voltar para Ele, o desejo de que não pereçamos. Na sua grande bondade, continua a dirigir-nos estas palavras: ‘Não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão, de maneira que ele tenha a vida’ (Ez 33,11). Convertamo-nos, irmãos; não tenhamos medo de o tempo estar a acabar. O tempo do Autor do tempo não pode ser encurtado. A prova disso é aquele malfeitor do Evangelho que, na cruz e na hora da sua morte, escamoteou o perdão, se apoderou da vida e, ladrão do paraíso com arrombamento, conseguiu penetrar no Reino.

(São Pedro Crisólogo)
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