Quem será ela?

virgem-maria

‘Se conhecesses o dom de Deus’, disse Cristo à mulher samaritana (Jo 4,10). Mas qual é esse dom de Deus, senão Ele mesmo? E diz-nos o discípulo amado: ‘Veio para o que era seu, mas os seus não O receberam’ (Jo 1,11). São João Batista poderia dizer, ainda hoje, a muitas almas estas palavras de censura: ‘No meio de vós – em vós – está quem vós não conheceis’ (Jo 1,26; Lc 17, 21).
’Se conhecesses o dom de Deus!’ Houve uma criatura que conheceu este dom de Deus, uma criatura que foi tão pura, tão luminosa, que parece ser a própria Luz: ‘Speculum justitiae / Espelho de justiça’. Uma criatura cuja vida foi tão simples, tão perdida em Deus, que dela não se pode dizer quase nada.
’Virgo Fidelis’: Ela é a Virgem fiel, aquela que ‘guardava todas as coisas no seu coração’ (Lc 2,19.51). Ela permaneceu tão pequena, tão recolhida diante de Deus, no segredo do Templo, que atraiu a complacência da Santíssima Trindade: ‘Porque olhou para a humilde condição da sua serva, desde agora me proclamarão bem-aventurada todas as gerações’ (Lc 1,48). Inclinando-Se para esta criatura tão bela, tão ignorante da sua beleza, o Pai quis que Ela fosse a mãe, no tempo, daquele que é o Pai na eternidade. Então veio o Espírito de amor que está por trás de todas as operações de Deus; a Virgem disse o seu fiat: ‘Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’, e realizou-se o maior dos mistérios. E, pela descida do Verbo, Maria ficou para sempre presa a Deus.

(Beata Isabel da Santíssima Trindade)

O silêncio na oração

maria

Terás dificuldade em rezar se não souberes como. Temos de nos ajudar a rezar: em primeiro lugar, recorrendo ao silêncio, porque não podemos pôr-nos na presença de Deus se não praticarmos o silêncio, tanto interior como exterior. Não é fácil fazer silêncio dentro de nós, mas é um esforço indispensável. Só no silêncio encontraremos novas forças e a verdadeira unidade. A força de Deus tornar-se-á a nossa, para realizarmos todas as coisas como devemos; o mesmo acontecerá com a unidade dos nossos pensamentos aos Seus pensamentos, a unidade das nossas orações às Suas orações, a unidade das nossas ações às Suas ações, da nossa vida à Sua vida. A unidade é o fruto da oração, da humildade, do amor.
É no silêncio do coração que Deus fala; se te colocares perante Deus em silêncio e em oração, Deus falar-te-á. Então saberás que não és nada. Só quando conheceres o teu nada, a tua vacuidade, é que Deus poderá preencher-te Consigo. As almas dos grandes orantes são almas de grande silêncio.
O silêncio faz-nos ver cada coisa de modo diferente. Necessitamos do silêncio para tocar as almas dos outros. O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus diz - aquilo que nos diz, e o que diz através de nós. No silêncio, Ele ouvir-nos-á; no silêncio, falará à nossa alma, e ouviremos a Sua voz.

(Madre Teresa de Calcutá)

Amor à Cruz e a alegria de ser filho de Deus

cruz1

O peso da cruz que Cristo carregou não é senão a decadência humana, com o seu cortejo dos pecados e sofrimentos que atingem a humanidade. O sentido do caminho da cruz é libertar o mundo desse fardo. Sendo a nossa felicidade a união com Cristo e sendo a progressão em direção a essa união a nossa bênção nesta terra, o amor à cruz não entra de modo nenhum em contradição com a alegria de ser filho de Deus. Ajudar a levar a cruz de Cristo dá uma alegria pura e profunda. Aqueles a quem é dada essa possibilidade e essa força — os construtores do Reino de Deus — são os mais autênticos filhos de Deus. A predileção pelo caminho da cruz também não significa ter pena por ver passada a Sexta-feira Santa e concluída a obra de redenção; pois só os seres que foram salvos, os filhos da graça, podem carregar a cruz de Cristo. Só a sua união ao divino Chefe confere ao sofrimento humano uma força penitencial.
Manter-se de pé e avançar pelos sendeiros rudes e lamacentos desta terra, permanecendo com Cristo à direita do Pai; rir e chorar com os filhos do mundo e cantar sem cessar os louvores do Senhor com o coro dos anjos, tal é a vida dum cristão até que nasça a manhã da eternidade.

(Edith Stein)

Pequena pregação sobre a Virgem…

Nossa-Senhora-096

Como eu gostaria de ser padre para pregar sobre a Santíssima Virgem! Bastar-me-ia uma única vez para dizer tudo o que penso sobre este assunto.
Em primeiro lugar, faria compreender até que ponto conhecemos mal a sua vida. Não podemos dizer coisas inverosímeis ou que desconhecemos; por exemplo, que ainda pequenita, com três anos, foi ao Templo oferecer-se a Deus com sentimentos extraordinários e ardentes de amor, quando talvez lá tenha ido apenas para obedecer aos pais. […] Para que um sermão sobre a Santíssima Virgem me agrade e me faça bem, é preciso que eu veja a sua vida real e não a sua vida imaginada; e tenho a certeza de que a sua vida real devia ser muito simples. Mostram-no-la inacessível, quando era preciso mostrá-la imitável, dar ênfase às suas virtudes, dizer que ela vivia de fé como nós, e apresentar provas disso com o Evangelho, onde lemos: ‘Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse’ (Lc 2,50); e esta outra, não menos misteriosa: ‘Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam’ (Lc 2,33). Esta admiração pressupõe um certo espanto, não acham?
Sabemos bem que a Santíssima Virgem é a Rainha do Céu e da terra, mas ela é mais mãe que rainha e não podemos dizer que, pelas suas prerrogativas, eclipsa a glória de todos os santos, como o sol que, quando se eleva, faz desaparecer as estrelas. Meu Deus! Como isto é estranho! Uma mãe que faz desaparecer a glória dos seus filhos! Eu penso que, pelo contrário, ela aumentará em muito o esplendor dos eleitos. É bom falar das suas prerrogativas, mas sem nos determos nisso. […] Quem sabe se alguma alma não sentirá mesmo um certo distanciamento de uma criatura tão superior, e não dirá: ‘Já que é assim, mais vale irmos brilhar como pudermos num cantinho.’
O que a Santíssima Virgem tinha a mais que nós é que não podia pecar, estava isenta da mancha original; mas, por outro lado, teve menos sorte que nós, pois não tinha uma Santíssima Virgem a quem amar, e isso é um consolo tão grande para nós.

(Santa Teresa de Jesus)

Chamados a ser santos

colunas-12

Qual é a vontade perfeita de Deus a nosso respeito ? Deves tornar-te santo. A santidade é a maior dádiva que Deus nos pode fazer, porque Ele criou-nos para esse fim. Para aquele ou aquela que ama, submeter-se é mais do que um dever, é o próprio segredo da santidade.
Como dizia São Francisco, todos nós somos quem somos aos olhos de Deus – nada mais, nada menos. Todos somos chamados a ser santos. Não há nada de extraordinário nessa chamada. Todos fomos criados à imagem de Deus, a fim de amarmos e sermos amados. Jesus deseja a nossa perfeição com um ardor indizível. ‘Eis a vontade de Deus: a vossa santificação’ (1Tess 4, 3). O Seu Sagrado Coração transborda de uma vontade insaciável de nos ver caminhar em direção à santidade.
Devemos renovar todos os dias a nossa decisão de nos elevarmos com mais fervor, como se se tratasse do primeiro dia da nossa conversão, dizendo: ‘Ajuda-me, Senhor meu Deus, nas minhas boas resoluções ao Teu santo serviço e dá-me hoje mesmo a graça de começar verdadeiramente, pois tudo o que fiz até agora não é nada.’ Só podemos ser renovados se tivermos a humildade de reconhecer aquilo que em nós tem necessidade de o ser.

(Madre Teresa de Calcutá)

 
Copyright © 2013 Amigos da Cruz