Quem será ela?

Ela é formosa, poderosa e forte.
Treme a terra diante dela.
Quem será ela?

Ao pronunciar o sim foi fecundada da salvação.
Ela brilha, mas não é a luz.
Não é a graça mas a derrama em nós.

Para um povo ela é rainha.
Para um exército é comandante.
E para nós crianças é a mãe.

Ela é formosa, poderosa e forte.
Treme a terra diante dela.
Quem será ela?

(canção da Ir. Kelly Patrícia)

“Os patriarcas e os profetas desejaram ardentemente ver o Redentor, mas não tiveram essa felicidade”

Deus fez-nos nascer depois da vinda do Messias: quantas ações de graças não Lhe devemos! Uma vez operada a redenção por Jesus Cristo, quão maiores são os benefícios que recebemos! Abraão, os patriarcas e os profetas desejaram ardentemente ver o Redentor, mas não tiveram essa felicidade. Eles cansaram por assim dizer o céu com os seus suspiros e as suas súplicas: ‘Céus, destilai lá das alturas o orvalho, e as nuvens façam chover o Justo! [...] Enviai o Cordeiro soberano da terra’ (Is 45,8; 16,1 Vulg). [...] ‘Ele reinará nos nossos corações e nos livrará da escravatura na qual vivemos miseravelmente. Senhor, faz-nos ver a Tua bondade, e concede-nos a salvação’ (Sl 84,8). Quer dizer: ‘Apressa-Te, Deus misericordioso, a derramar sobre nós a Tua ternura, enviando-nos o objeto principal das Tuas promessas, Aquele que nos virá salvar.’ Foram estes os suspiros, foram estas as súplicas ardentes dos santos, antes da vinda do Messias; contudo eles foram privados durante quatro mil anos da felicidade de O ver nascer.
Esta felicidade estava-nos reservada a nós. Mas que fazemos? Que proveito tiramos dela? Sabemos amar este amoroso Redentor agora que Ele veio, que nos libertou das mãos dos nossos inimigos, que nos resgatou da morte eterna ao preço da Sua vida [...], que nos abriu o paraíso, que nos muniu de tantos sacramentos e de tantas ajudas poderosas para que O amemos e sirvamos em paz durante esta vida e nos alegremos para sempre na outra? [...] Minha alma, estarás realmente cheia de ingratidão se não amares o teu Deus, este Deus que quis ser enfaixado para te livrar das cadeias do inferno, pobre para te comunicar as Suas riquezas, fraco para te tornar forte contra os teus inimigos, oprimido pelo sofrimento e pela tristeza para lavar os teus pecados com as Suas lágrimas.
(Santo Afonso-Maria de Ligório)

Jesus nasceu!

Irmãos, informados do milagre, vamos como Moisés ver esta coisa extraordinária (Ex 3, 3): em Maria, o arbusto em chamas não se consome. A Virgem dá ao mundo a Luz mantendo a sua virgindade. [...] Corramos pois a Belém, a cidade da Boa Nova! Se formos verdadeiramente pastores, se permanecermos despertos em guarda, ouviremos a voz dos anjos que anunciam uma grande alegria: [...] ‘Glória a Deus nas alturas, porque a paz desceu à terra!’ Aonde ontem apenas havia maldição, teatros de guerra e exílio, a terra recebe a paz, porque hoje ‘da terra brotará a lealdade, desde o céu há-de olhar a justiça’ (Sl 84, 12). Eis o fruto que a terra dá aos homens, em recompensa pela boa vontade que reina entre eles (Lc 2, 14). Deus une-Se ao homem para elevar o homem às alturas de Deus. Ao ouvirmos esta novidade, irmãos, partamos para Belém, a fim de contemplarmos o mistério do presépio: uma criança envolta em panos repousa numa manjedoura. Virgem após o parto, a Mãe incorruptível abraça o Filho. Com os pastores, repitamos a palavra do profeta: ‘Como nos contaram, assim nós vimos na cidade do Senhor dos exércitos’ (Sl 47, 9). Mas por que procura o Senhor refúgio nesta gruta de Belém? Por que dorme numa manjedoura? Por que Se sujeita ao recenseamento de Israel? Irmãos, Aquele que traz a libertação ao mundo vem nascer na nossa submissão à morte. Ele nasce nesta gruta para Se mostrar aos homens, mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Está deitado numa manjedoura porque é Aquele que faz crescer a erva para o gado (Sl 103, 14), porque é o Pão da Vida que alimenta o homem com um alimento espiritual, para que também ele viva pelo Espírito. [...] Haverá festa mais feliz que a de hoje? Cristo, o Sol da Justiça (Mal 3, 20), vem iluminar a nossa noite. Aquele que tinha caído torna a levantar-se, aquele que fora vencido é libertado [...], aquele que tinha morrido regressa à vida. [...] Hoje, cantemos todos a uma só voz em toda a terra: ‘Por um homem, Adão, veio a morte; por este Homem, vem-nos hoje a salvação’ (cf Rom 5, 17).
(São Gregório de Nissa)

Deus à imagem do homem

Como é que o homem, com o seu olhar tão limitado, pode abranger o Deus que o mundo não pode abarcar? O amor não se incomoda de saber se uma coisa é adequada, conveniente ou possível. O amor [...] ignora a medida. Não se consola com o pretexto de que é impossível; a dificuldade não o detém [...]. O amor não consegue deixar de ver quem ama. [...] Como acreditar que se é amado por Deus sem O contemplar? Assim, o amor que deseja ver Deus, mesmo que não seja racional, é inspirado pela intuição do coração. Foi por isso que Moisés ousou dizer: ‘Se alcancei graça aos Teus olhos, revela-me as Tuas intenções (Ex 33, 13ss.), e o salmista: ‘Mostra-nos o Teu rosto’ (cf. 79, 4). [...]
Por conseguinte, conhecendo o desejo que os homens têm de O ver, Deus escolheu, para Se tornar visível, um meio que beneficiasse todos os habitantes da terra, sem com isso prejudicar o céu. Pode a criatura que Deus fez semelhante a Ele neste mundo ser considerada pouco digna no céu?: ‘Façamos o ser humano à Nossa imagem, à Nossa semelhança’ disse Deus (Gn 1, 26). [...] Se Deus tivesse retirado do céu a forma de um anjo, ter-Se-ia mantido invisível; se, em contrapartida, tivesse encarnado na terra numa natureza inferior à do homem, teria ofendido a divindade e teria rebaixado o homem, em vez de o elevar. Portanto, que ninguém, irmãos muito caros, considere uma ofensa a Deus o fato de Ele ter vindo aos homens como homem, e de ter encontrado este meio para ser visto por nós.

(São Pedro Crisólogo)

 
Copyright © 2013 Amigos da Cruz