“É preciso combater”

Transitamos por um território ocupado pelo inimigo, uma selva em que as armadilhas para os incautos estão escondidas a cada passo. Alguns por seus escrúpulos, outros por suas iras; outros por seu orgulho ou suas paixões, (nem sempre inconfessáveis, mas de igual modo daninhas, porque se prendem às criaturas), ou por sua falta de decisão ou por sua pouca reflexão; quantas vezes pela imprudência com que levamos adiante nossos bons propósitos. Em todas partes o diabo tem armadilhas e junto a cada emboscada está o anjo bom para nos prevenir. Não é uma alegoria. É uma verdade de Fé. É uma realidade concretíssima. Ainda que não ouçamos o tinir do aço de suas espadas, eles lutam por nós. Ainda que não escutemos suas insinuações, eles não deixam de fazê-lo para nosso bem ou para nosso mal. As forças celestes se batem pelo homem, eis aqui a razão de sua verdadeira dignidade.
E como participa o homem neste épico? Deve tomar posição em um dos dois lados, não há neutralidade possível; e ao fazê-lo, o outro lançará toda sua ira (se opta pelo bem) ou sua amorosa persuasão (se erra para o mal). Nesta guerra não há espectadores, senão partícipes necessários. “Quem te criou sem ti não te salvará sem ti”, disse Santo Agostinho. É preciso combater.

(Prólogo de Regras para o discernimento dos espíritos - R. P. L. M. BARRIELLE CPCR)

Santos Arcanjos, Combatei em nosso favor!!

Luta espiritual

“Não é possível edificar uma personalidade humana e espiritual robusta sem luta interior, sem este exercício de discernimento ente o bem e o  mal, sem esta estratégia para dizer ‘nãos’ eficazes e ‘sins’ convincentes? Talvez estejamos esquecidos de que, como testemunham os Evangelhos, Jesus mesmo lutou e não pode se subtrair a este confronto com o tentador. No entanto, todos deveríamos saber: o pecado está escondido à porta de nosso coração, sua sede está orientada para nós. Cabe a nós dominá-lo (ver Gn 4,7). No Novo Testamento o Apóstolo nos relembra: ‘o pecado nos persegue’, há ‘determinantes que nos seduzem’, há ‘desejos que se opõem à nossa carne’. Sim, há uma luta espiritual exigente, cotidiana, que reclama, da parte do cristão, a atitude própria daquele que vai à guerra, mas munido de armas espirituais. Essa luta tem por moldura nosso coração, o centro de nossa vida psicológica, moral e espiritual, o lugar da inteligência, da memória, da vontade, do desejo e de todos os sentimentos, o espaço de encontro entre Deus e o homem, entre o homem e seus semelhantes. Mas o coração pode igualmente encontrar-se exposto à doença da ‘esclerocardia’, se pouco a pouco se endurece pela ausência de escuta da Palavra de Deus e pelo consentimento ao que contradiz a vontade do Senhor.

Ter um coração unificado, um coração puro, sensível e capaz de discernimento, um coração que conserva e engendra pensamentos de amor, eis o objetivo da luta espiritual. Que arte apaixonante! Prepara-se, na vigilância, para a luta, para esta luta que Rimbaud definia como ‘mais dura que a guerra entre os homens’”

(Enzo Bianchi – Dar sentido ao tempo, as grandes festas cristãs publicação origina do Blog Adversus Heresis)

 

São Miguel Arcanjo, Defendei-nos no combate!

“Ó Cruz, Tu nos salvarás”

“Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o Seu Filho único, para que todo o que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). Sabemos que aquele "dar" da parte do Pai teve um desenvolvimento dramático: chegou até ao sacrifício do Filho na cruz. Se toda a missão histórica de Jesus é sinal eloquente do amor de Deus, a sua morte é um sinal completamente singular, na qual se expressou de modo total a ternura redentora de Deus. Sempre no centro da nossa meditação deve portanto estar a Cruz; nela contemplamos a glória do Senhor que resplandece no corpo martirizado de Jesus. Precisamente nesta doação total de si sobressai a grandeza de Deus, sobressai o seu ser amor. É a glória do Crucificado que cada cristão está chamado a compreender, a viver e a testemunhar com a sua existência. A Cruz, a doação de si mesmo por parte do Filho de Deus é, definitivamente, o "sinal" por excelência que nos foi dado para compreender a verdade do homem e a verdade de Deus: todos nós fomos criados e remidos por um Deus que por amor imolou o seu único Filho. Eis por que na Cruz, "cumpre-se aquele virar-se de Deus contra Si próprio, com o qual Ele Se entrega para levantar o homem e salvá-lo o amor na sua forma mais radical" (Deus Caritas est n. 12)

(Papa Bento XVI, HOMILIA DURANTE A MISSA NA PARÓQUIA ROMANA DE "DEUS PAI MISERICORDIOSO" Domingo, 26 de Março de 2006)

 
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