“Se alguém quiser vir após mim…”

“Se alguém...”

Se alguém, alguém, e não alguns, para marcar o pequeno número dos eleitos que se querem tornar conformes a Jesus Cristo crucificado, carregando a cruz. É tão pequeno esse número, tão pequeno, que se o soubéssemos ficaríamos pasmados de dor. É tão pequeno que não há apenas um em cada dez mil, como foi revelado a vários santos, - entre outros a São Simeão Estilita, segundo narra o santo abade Nilo, bem como Santo Efrém, São Basílio e alguns outros. É tão pequeno que, se Deus quisesse reuni-los, gritar-lhes-ia, como se outrora pela baca do profeta: reuni-vos de um a um, um desta província, outro deste reino.

Se alguém quiser...

Se alguém tiver vontade verdadeira, firme e determinada, não pela natureza, o costume, o amor próprio, o interesse ou o respeito humano, mas, por uma graça toda virtuosa do Espírito Santo, que não se dá a todos: ‘Nem a todos é dado conhecer os mistérios do reino dos céus’. O conhecimento do mistério da Cruz, na prática, só é dado a poucas pessoas. Para um homem subir ao Calvário e aí se deixar pregar na Cruz com Jesus, em sua própria pátria, é preciso que seja um bravo, um herói, um determinado elevado em Deus, que despreze o mundo e o inferno, seu corpo e sua vontade própria; um determinado a deixar tudo, a tudo empreender e a tudo sofrer por Jesus Cristo.

Sabei, queridos Amigos da Cruz, que aqueles dentre vós que não têm esta determinação, andam com um pé só, voam com uma só asa e não são dignos de estar no meio de vós, porque não são dignos de ser chamados Amigos da Cruz, que devemos amar, com Jesus Cristo, '’com um coração ardente e ânimo generoso’. Basta uma meia vontade, neste caso, para por, como uma ovelha preta, o rebanho a perder. Se em vosso aprisco já existe uma delas, entrada pela porta má do mundo, em nome de Jesus Cristo crucificado expulsai-a como a um lobo que estivesse entre os cordeiros!

Vir após mim

Se alguém quiser vir após mim, - que tanto me humilhei e aniquilei, que me tornei mais semelhante a um verme que a um homem, após mim, que só vim ao mundo para abraçar a Cruz; para colocá-la no centro de meu coração; para amá-la desde a minha juventude; para suspirar por ela durante a minha vida; para carregá-la com alegria, preferindo-a a todas as alegrias do céu e da terra; e que, enfim, só me contentei quando morri em seu divino abraço.

(São Luís Maria Grignion de Montfort – Carta aos Amigos da Cruz, n. 14-16)

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