Tu me curaste, fizeste-me ver!

Antes que brilhasse a luz divina,

Não me conhecia a mim mesmo.

Vendo-me então nas trevas e na prisão,

Preso num lamaçal,

Coberto de sujeira, ferido, com a minha carne inflamada,

Caí aos pés d'Aquele que me iluminara.

 

E Aquele que me iluminara tocou com as Suas mãos

Nas minhas cadeias e nas minhas feridas;

Do lugar onde a sua mão tocou e aonde o Seu dedo se chegou,

No mesmo momento me caíram as cadeias,

Desapareceram as feridas e toda a sujeira.

A mácula da minha carne desapareceu

E Ele tornou-a semelhante à Sua mão divina.

Estranha maravilha: a minha carne, a minha alma e o meu corpo

Participam da glória divina!

 

Assim que fui purificado e desembaraçado das minhas cadeias,

Ei-Lo que me estende uma mão divina,

Retira-me completamente do lamaçal,

Abraça-me, lança-se-me ao pescoço,

Cobre-me de beijos (cf. Lc 15, 20).

E a mim, que estava completamente exausto,

E tinha perdido as forças,

Pôs-me aos ombros (cf. Lc 15, 5),

E levou-me para fora do meu inferno.

 

Ele é a luz que me leva e me sustenta;

Conduz-me para uma grande luz.

Permite-me contemplar através de que tão misteriosa renovação

Ele próprio me tornou a modelar (cf. Gn 2, 7) e me arrancou à corrupção.

Concedeu-me o dom da vida imortal

E revestiu-me com uma túnica imaterial e luminosa

E deu-me sandálias, um anel e uma coroa

Incorruptíveis e eternos (cf. Lc 15, 22).

(São Simeão, o Novo Teólogo, monge e místico grego). Retirado de Visão Cristã.

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