Adeste Fideles (Venham todos os fiéis)

Venham, todos os fiéis, alegres e triunfantes
Venham, venham a Belém
Vejam o Menino, nasceu o Rei dos Anjos

Venham, adoremos a Ele, venham, adoremos a Ele
Venham e adoremos ao Senhor

Deixando o rebanho, humildes, do berço
Rapidamente se aproximam os pastores ao serem chamados,
E nós, apressemo-nos com passo alegre

Venham, adoremos a Ele, venham, adoremos a Ele
Venham e adoremos ao Senhor

O eterno esplendor do Pai eterno,
Vemos agora, oculto sob a carne
O Deus Menino envolto em panos

Venham, adoremos a Ele, venham, adoremos a Ele
Venham e adoremos ao Senhor

Por nós pobre e recostado na manjedoura
Com abraços carinhosos O abracemos
A Quem assim nos ama, quem não O amará?

Venham, adoremos a Ele, venham, adoremos a Ele
Venham e adoremos ao Senhor

(Fonte: http://mercaba.wordpress.com – também o original latino)

Jesus nasceu!

“Só o Menino que jaz no presépio possui o verdadeiro segredo da vida. Por isso pede para ser acolhido, que se lhe conceda um espaço em nós, nos nossos corações, nas nossas casas, nas nossas cidades e nas nossas sociedades. Ressoam no coração e na mente as palavras do prólogo de João: ‘A quantos o receberam, aos que nele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus’ (1, 12). Procuremos estar entre quantos o recebem. Diante dele não se pode permanecer indiferente. Também nós, queridos amigos, devemos tomar continuamente posição. Qual será então a nossa resposta? Com que atitude o acolhemos? Vêm em nossa ajuda a simplicidade dos pastores e a busca dos Magos que, através da estrela, perscrutam os sinais de Deus; servem-nos de exemplo a docilidade de Maria e a sábia prudência de José. Os mais de dois mil anos de história cristã estão cheios de exemplos de homens e mulheres, de jovens e adultos, de crianças e idosos que acreditaram no Mistério do Natal, abriram os braços ao Emanuel tornando-se com a sua vida faróis de luz e de esperança. O amor que Jesus, nascendo em Belém, trouxe ao mundo, liga a si quantos o acolhem numa relação duradoura de amizade e de fraternidade”

(Bento XVI, AUDIÊNCIA GERAL Quarta-feira, 3 de Janeiro 2007)

O Filho de Deus ‘é nossa carne e nosso sangue’

Realmente, que pode haver de mais útil e mais próprio, para sofrear nosso orgulho e arrogância espiritual, do que considerar muitas vezes como Deus Se humilha, a ponto de tomar sobre Si a fraqueza e fragilidade humana; como Deus Se fez homem, e põe a serviço do homem Sua soberana e infinita majestade, a cujo aceno - no dizer da Escritura - ‘as colunas do céu vacilam e tremem de pavor’; como veio afinal nascer na terra Aquele, a quem os Anjos adoram nos céus. Ora, se Deus faz tanto por nós, que nos incumbe fazer de nossa parte, para realizar a Sua vontade? Com quanta alegria e prontidão de espirito não devemos, pois, amar, abraçar, e cumprir todos os deveres que dos impõe a humildade!

Devem os fiéis tomar a peito as salutares lições que Cristo nos dá, desde o seu nascimento, antes até de ter proferido a menor palavra. Nasce na indigência. Nasce, como (nasceria) um estranho na estalagem. Nasce em tosca manjedoura. Nasce no rigor do inverno. Eis o que relata São Lucas: ‘E quando ali estavam, aconteceu completar-se o tempo cm que devia dar à luz. E deu ‘à luz o seu Filho Primogénito, envolveu-O em faixas, e reclinou-O numa manjedoura; pois não havia lugar para eles na estalagem’. Poderia o Evangelista exprimir, em termos mais lhanos, toda a majestade e glória do céu e da terra? Não escreve, apenas, que não havia lugar na estalagem, mas que o não havia para Aquele, que de Si declarou: ‘Minha é a redondeza da terra, e Minhas são todas as coisas de que se acha repleta’. Outro Evangelista dá o mesmo testemunho: ‘Veio para o que era Seu, e os seus não O receberam’.

Levando em conta estes fatos, os fiéis devem ainda lembrar-se que, se Deus quis assumir a baixeza e fragilidade de nossa carne, foi para elevar O gênero humano ao mais alto grau de honra e dignidade. Com efeito, como prova da eminente posição e dignidade a que a bondade divina exaltou o homem, basta existir realmente um Homem que, ao mesmo tempo, é perfeito e verdadeiro Deus. Por conseguinte, podemos gloriar-nos de que o Filho de Deus é ‘nossa carne e osso’. É uma regalia que não se aplica nem aos próprios espíritos bem-aventurados, porquanto diz o Apóstolo: ‘Não assumiu a natureza dos Anjos, mas a linhagem de Abraão’.

(Catecismo Romano – I, 3º art. § 11)

O Verbo Eterno se fez homem

“Ignem veni mittere in terram; et quid
voto, nisi ut accendatur?
Vim trazer o fogo à terra; e que desejo
senão que ele se inflame?” (Lc 12,49)


Os judeus celebravam uma festa chamada Dia do Fogo em memória do fogo com que Neemias consumou a vítima oferecida a Deus, quando ele voltou com seus compatriotas do cativeiro da Babilônia. A festa do Natal deveria também, e com muito mais razão, chamar-se Dia do Fogo, porque nesse dia um Deus veio ao mundo sob a forma duma criancinha para a-tear o fogo do amor no coração dos homens. Vim trazer o fogo à terra, disse Jesus Cristo, e o trouxe de fato. Antes da vinda do Messias, quem amava a Deus sobre a terra? Ele era apenas conhecido numa pequena região do mundo, isto é, na Judéia; e mesmo lá, quão poucos eram os que o amavam no tempo da sua vinda! No resto da terra, uns adoravam o sol, outros os animais, s pedras ou criaturas mais vis ainda. Mas, depois da vinda de Jesus Cristo, o nome de Deus se espalhou por toda parte e foi amado por muitos. Desde então os corações abrasaram-se das almas do divino amor, e Deus foi mais amado em poucos anos do que nos quatro mil aos que decorreram depois da criação.
Muitos cristãos costumam preparar com bastante antecedência em suas casas um presépio para representar o nasci-mento de Jesus Cristo. Mas há poucos que pensam em preparar seus corações, a fim que o Menino Jesus possa neles nascer e repousar. Sejamos nós desse pequeno número: procuremos dispor-nos dignamente para arder desse fogo divino, que torna as almas contentes neste mundo e felizes no céu.
Consideremos neste primeiro dia que o Verbo Eterno justamente para esse fim, de Deus se fez homem, para inflamar-nos de seu divino amor. Peçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo e a sua Santíssima Mãe nos iluminem sobre esse mistério, e comecemos.

(Santo Afonso de Ligório – Encarnação, Nascimento e Infância, I, Cons. I)

Por que veio Jesus Cristo?

Irmãos, conheceis Aquele que vem; considerai agora de onde vem e para onde vai. Ele vem do coração de Deus Pai para o seio de uma Virgem Mãe. Ele vem das alturas do céu para as regiões inferiores da terra. E então? Não temos de viver nesta terra? Sim, se Ele próprio aqui viver também; porque onde estaríamos nós bem sem Ele? «Quem terei eu nos céus? Nada mais anseio sobre a terra além de Vós, o Deus do meu coração, a minha herança» (Sl 72, 25-26). [...]
Mas era necessário que estivesse em causa um grande interesse para que tal majestade Se dignasse a descer de tão longe para uma estadia tão indigna de Si. Sim, havia um grande interesse em jogo, porque a misericórdia, a bondade e a caridade se manifestaram com grande abundância. Com efeito, por que veio Jesus Cristo? [...] As Suas palavras e as Suas obras demonstram-no-lo claramente: Ele desceu a toda a pressa das montanhas para procurar a centésima ovelha, a que estava perdida, para estender a Sua misericórdia aos filhos dos homens.
Ele veio por nós. Admirável condescendência do Deus que procura! Admirável dignidade do homem assim procurado! O homem pode vangloriar-se disso sem toleima: não que ele seja qualquer coisa por si mesmo, mas porque Aquele que o fez o tem em tão grande estima! Em comparação com esta glória, as riquezas e a glória do mundo, e tudo o que se pode aí ambicionar, nada são. O que é o homem, Senhor, para que o engrandeças assim e a ele ligues o Teu coração?
Cabe-nos a nós irmos em direção a Jesus Cristo. [...] Ora um duplo obstáculo nos entravava: os nossos olhos estavam muito doentes e Deus habita na luz inacessível (1Tim 6, 16). Paralíticos que jazíamos no catre, éramos incapazes de alcançar a tão alta morada de Deus. Foi por isso que o bom Salvador e doce médico das almas desceu de lá do alto, onde mora. Ele suavizou para os nossos olhos doentes o brilho da Sua luz.

(São Bernardo – 1º sermão do Advento)

 
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