Ave

Na antiguidade, a aparição dos Anjos aos homens era um acontecimento de grande importância e os homens sentiam-se extremamente honrados em poder testemunhar sua veneração aos Anjos.

Um Anjo se inclinar diante de uma criatura humana, nunca se tinha ouvido dizer antes que o Anjo tivesse saudado à Santíssima Virgem, reverenciando-a e dizendo: Ave.

Se antes o homem reverenciava o Anjo e o Anjo não reverenciava o homem, é porque o Anjo é maior que o homem e o é por três diferentes razões: Primeiramente, o Anjo é superior ao homem por sua natureza espiritual (o homem tem uma natureza corrutível e Não convém que a criatura espiritual e incorruptível renda homenagem à criatura corruptível); em segundo lugar, o Anjo ultrapassa o homem por sua familiaridade com Deus (com efeito, o Anjo pertence à família de Deus, mantendo-se a seus pés, mas o homem é quase estranho a Deus, como um exilado longe de sua face pelo pecado) e em terceiro lugar, o Anjo foi elevado acima do homem, pela plenitude do esplendor da graça divina que possui (Os Anjos participam da própria luz divina em mais perfeita plenitude. Pode-se enumerar os soldados de Deus, diz Jó (25, 3) e haverá algum sobre quem não se levante a sua luz? Por isso os Anjos aparecem sempre luminosos. Mas os homens participam também desta luz, porém com parcimônia e como num claro-escuro).

Por conseguinte, não convinha ao Anjo inclinar-se diante do homem, até o dia em que apareceu urna criatura humana que sobrepujava os Anjos por sua plenitude de graças , por sua familiaridade com Deus e por sua dignidade. Esta criatura humana foi a bem-aventurada Virgem Maria. Para reconhecer esta superioridade, o Anjo lhe testemunhou sua veneração por esta palavra: Ave.

(Santo Tomás de Aquino. O Pai Nosso e a Ave Maria, A saudação Angélica, n. 2-4 adapt.)

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