Sobre a amizade

Só é digna de louvor a amizade que favorece os bons costumes. Deve-se preferir a amizade à riqueza, às honras, ao poder, mas não à virtude; mais ainda, ela dever ser regida pelas regras da retidão moral. Assim foi a amizade de Jônatas com Davi: pelo carinho que lhe tinha, não fez caso nem da ira de seu pai nem do perigo a que expunha sua própria vida (1 Sm 20, 29ss). Assim foi a de Abimelec: para cumprir os 

deveres da hospitalidade, preferiu afrontar a morte antes de trair ao amigo que fugia (1 Sm 21, 6).

(…)

Meus filhos, sede fiéis à amizade verdadeira com vossos irmãos, porque nada e mais bonito nas relações humanas. Certamente muito consola nesta vida ter um amigo a quem abrir o coração, desvelar os próprios segredos e manifestar os sofrimentos da alma; alivia muito possuir um homem fiel que se alegre contigo na prosperidade, compartilhe tua dor na adversidade e te sustente em momentos difíceis. Que bela é a amizade dos três meninos hebreus! Nem se quer a chama do forno foi capaz de separar seus corações. Bem a propósito escreveu o santo Davi: Saul e Jônatas, formosos e queridíssimos, inseparáveis durante a vida, tampouco se separaram na morte (2 Sam 1, 23). Este é um fruto da amizade: que por carinho ao amigo não se destrua a fé. Com efeito, não pode ser amigo do homem quem é infiel a Deus. A amizade é guardiã da piedade e mestra da igualdade; faz o superior igual ao inferior e coloca este ao mesmo nível do outro. Não pode haver verdadeira amizade entre duas pessoas que têm diferentes costumes; por isso, o amor mútuo os deve identificar.

(Santo Ambrósio – Trechos selecionados, Os deveres dos ministros, III, 124-135)

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