A perseguição interior

Santo Ambrósio

“Muitos me perseguem e me afligem: mas não me apartei de teus mandamentos” (Sl 118, 157)

Os piores perseguidores não os que se manifestam como tais, mas aqueles que não se vê. E destes há muitos! O diabo lança muitos de seus ministros, para que persigam a todas as almas, não só por fora como também por dentro.

Destas perseguições se diz: todos os que querem viver piedosamente em Cristo, sofrerão perseguições (2 Tm 3, 12). O Apóstolo escreve todos; não excetuando ninguém. Pois quem pode ser excetuado quando o próprio Senhor suportou as …

tentativas de perseguição? Perseguem a avareza, a ambição, a luxúria; perseguem a soberba e os prazeres da carne. Não esqueça o que disse o Apóstolo: fugi da fornicação (1 Cor 6, 18). E de que foges, senão daquele que te persegue: o mau espírito da luxúria, da avareza, da soberba?

Os perseguidores também são aqueles que, sem o terror da espada, destroem com frequência o espírito do homem; aqueles que mais com louvor que com espanto, submetem as almas dos fiéis. Estes sãos os inimigos dos quais  se deve guardar, estes são os tiranos mais perigosos, por quem Adão foi vencido. Muitos, coroados em perseguições públicas, caíram nestas perseguições ocultas. Fora de nós, diz o Apóstolo, lutas; dentro de nós, temores (2 Cor 7, 5).

Adverte que duro é o combate que existe no interior do homem, para que se debata consigo mesmo e lute contra suas paixões. O mesmo Apóstolo vacila, duvida, é dominado e manifesta que está sujeito à lei do pecado e reduzido por seu corpo de morte e não poderia escapar, se não fosse libertado pela graça de Cristo Jesus (Rm 7, 23-25).

(Santo Ambrósio – Exposição sobre o salmo 118)

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