Oração que santifica

Santo Afonso, espiritualidade

Meus diletíssimos, já deveríamos ser santos, uma vez que há tanto tempo fazemos oração. Muitos de nós, porém, são imperfeitos, falo por mim; a causa é não fazermos bem a oração.

Para fazer bem a oração, deveríamos fazer bem a preparação, tanto a remota como a próxima; o mesmo se diga do corpo da oração e da sua conclusão. A preparação remota consiste em não nos dispersar nas coisas exteriores. Cada um de nós tem ocupações distrativas: um deve estudar; outro, pregar; outro ainda, cozinhar. Não devemos mergulhar totalmente nessas obrigações, a ponto de nos esquecer de Deus. De vez em quando, pelo menos no começo, no meio e no fim de qualquer ação, digamos alguma oração jaculatória. Façamos como o timoneiro, que tem um olho fixo na bússola e com a mão regula o leme da nave; façamos como o marinheiro, que está com os olhos voltados para as velas, para ver como sopra o vento, e com as mãos no [leme]; sejamos como o compasso, que mantém uma perna fixa, enquanto com a outra vai traçando o círculo; assim também nós etc..
Façamos bem a preparação próxima, sempre o ato de fé; diz Sta. Teresa que não devemos imaginar Deus longe de nós, mas bem dentro de nosso coração. Costumava dizer um mestre espiritual que algumas almas por ele dirigidas caminhavam muito bem, porque faziam na oração o ato de fé.
Façamos bem o corpo da oração, meditando, como fazem as abelhas sobre as flores.
A conclusão seja feita sempre com toda a atenção possível. Se não se faz bem a preparação no início da oração, isso pode ser remediado; mas na conclusão... não façamos muitos propósitos, façamos um, e particularizado; comecemos a combater um vício, e por isso na oração lembrem-se daquilo que diz S. Francisco de Sales sobre o ramalhete de flores. A pessoa entra no jardim e faz um ramalhete de flores, e durante o dia fica apreciando seu perfume.

(Santo Afonso de Ligório – Assim pensava Santo Afonso, Fl. Castro [trad.] p.7-8)

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