Depois da Cruz

Bem mais do que o medo das perseguições e o remorso da consciência, o que atormentava os discípulo era a ideia de lhes ter sido arrancado para sempre aquele que acreditavam ser o Filho do Homem. Ele, que caminhara com eles pelos prados verdes ao longo das margens do seu lago; ele, que sabia ser tão amável e tão forte; ele, que curava qualquer doença com uma só palavra; ele, que anunciava a todos a verdade e que agora, não mais existia, o seu corpo jazia sem respiração. Jamais voltariam a ouvir aquelas suas palavras “Digo-vos a verdade…”, nunca mais veriam as suas mãos, observadas inúmeras vezes na hora de partir o pão…

O desalento tomara conta dos discípulos: Por que Deus o havia abandonado? Por que havia abandonado todos eles?

(…)

Ele estava morto, não como um sábio que conseguira superar o limite normal do sofrimento humano, vencendo a dor unicamente com a força do espírito… Não, ele sofrera de verdade, e gritara, como milhões de homens, como qualquer criança, ou pássaro ferido, como qualquer ser animado. Ninguém correra em seu socorro quando sangrava na cruz, nenhum anjo atenuara a sua agonia. Não erraram os que disseram: “Este aqui salvou os outros, mas não pode salvar a si mesmo”.

Será que tudo isto não significava que Jesus não era aquele em quem tinham acreditado? Que não era o salvador de Israel e do mundo inteiro? Por conseguinte, a fé que nele haviam depositado fora um logro, e quando Pedro declarou naquele dia “Tu é o Messias”, dissera palavras ocas, sem sentido…. Aquela era a derrota decisiva, total, irremediável. Caíam desgraçadamente as suas mais íntimas esperanças, os seus sonhos fúlgidos… Homem algum jamais experimentara desilusão tão esmagadora.

O que lhes restava fazer? Escapar, fugir o mais rápido possível daquela cidade funesta. Voltar para a Galileia, voltar para suas casas, para seus barcos. Esquecer aquele homem, que enganara a si mesmo. E os arruinara a eles, seus pobres e desiludidos seguidores.

(Pe. Aleksandr Mien – Jesus, Mestre de Nazaré)

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