Meditar a Paixão de Cristo

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“Quem, pois, poderá amar um outro objeto além de Jesus, vendo-o morrer entre tantas dores e desprezos, a fim de conquistar o nosso amor? Um pio solitário rogava ao Senhor que lhe ensinasse o que deveria fazer para amá-lo perfeitamente. O Senhor revelou-lhe que, para chegar a seu perfeito amor, não havia exercício mais próprio que meditar frequentemente na sua Paixão. Queixava-se S. Teresa amargamente de alguns livros, que lhe haviam ensinado a deixar de meditar na Paixão de Jesus Cristo, porque isto poderia servir de impedimento à contemplação da divindade. Pelo que a santa exclamava: “Ó Senhor de minha alma, ó meu bem, Jesus Crucificado, não posso recordar-me dessa opinião sem me julgar culpada de uma grande infidelidade. Pois seria então possível que vós, Senhor, fôsseis um impedimento para um bem maior? E donde me vieram todos os bens senão de vós?” E em seguida ajuntava:  “Eu vi que, para contentar a Deus e para que nos conceda grandes graças, ele quer que tudo passe pelas mãos dessa humanidade sacratíssima, na qual se compraz sua divina majestade”.
(…)
Ensina S. Boaventura que quem quiser crescer sempre de virtude em virtude, de graça em graça, medita sempre Jesus na sua Paixão. E ajunta que não há exercício mais útil para fazer santa uma alma do que considerar assiduamente os sofrimentos de Jesus Cristo.
Além disso afirmava S. Agostinho (ap. Bern. de Bustis) que vale mais uma só lágrima derramada em recordação da Paixão de Jesus, que uma peregrinação a Jerusalém e um ano de jejum a pão e água. E na verdade, porque vosso amante Salvador padeceu tanto senão para que nisso pensássemos e pensando nos inflamássemos no amor para com ele? “A caridade de Cristo nos constrange”, diz S. Paulo (2Cor 5,14). Jesus é amado por poucos, porque poucos são os que meditam nas penas que por nós sofreu; que, porém, as medita a miúdo, não poderá viver sem amar a Jesus: sentir-se-á de tal maneira constrangido por seu amor que não lhe será possível resistir e deixar
de amar a um Deus tão amante e que tanto sofreu para se fazer amar.”

(Santo Afonso Maria de Ligório – A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo I, n. 4, 6-7)

Alegra-te, cheia de graça!

“Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude do Espirito Santo, Maria respondeu com a ‘obediência da  Fé’, certa de que ‘nada é impossível à Deus’: ‘Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1, 37-38). Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tornou mãe de Jesus e , abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de Seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção:

‘Obedecendo , se fez causa de salvação tanto para si como para todo o gênero humano’. (Santo Irineu, Adv, haer.)

‘O nó da desobediência de Eva foi desfeita pela obediência de Maria; o que a Virgem Eva ligou pela incredulidade a virgem Maria desligou pela fé’ (ibdem)

‘Veio a morte por Eva e a vida por Maria’ (Lumen Gentium)’”

(Catecismo da Igreja Católica, n. 494)

Hino Akathistos

“O mais excelso dos anjos foi enviado do Céu para dizer ‘Ave’ à Mãe de Deus. Ao transmitir sua saudação incorpórea, vendo o Senhor fazendo-se homem nela, o anjo, extasiado, deste modo a aclamou:

Ave, por vós resplandecem os gozos,
Ave, por vós se dissolve a dor,
Ave, resgate do pranto de Eva,
Ave, saúde do Adão que caiu

Ave, sois o cimo sublime do intelecto humano,
Ave, sois o abismo insondável ao olhar de um anjo
Ave, levais Aquele que a tudo sustém
Ave, sois a sede do Trono Real

Ave, ó estrela que ao Astro precede,
Ave, morada do Deus que se encarna,
Ave, por vós se renova o criado,
Ave, por vós se faz menino o Senhor!

Ave, Virgem e Esposa!

Bem sabia Maria que era uma Virgem Santa, e por isso respondeu a Gabriel: “Vossa singular mensagem se afigura incompreensível a meu intelecto, pois anunciais um parto virginal em meu seio, exclamando: Aleluia!”

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Ansiava a Virgem compreender o mistério, e perguntava ao Mensageiro divino: “Poderá meu seio virginal dar à luz um filho? Dizei-me!” E aquele, reverente, a respondeu aclamando-a:

Ave, presságio de excelsos desígnios,
Ave, sois a prova de arcano mistério,
Ave, prodígio primeiro de Cristo
Ave, compêndio de toda a verdade.

Ave, ó Escada celeste em que desce o Eterno
Ave, ó Ponte que leva os homens ao Céu,
Ave, prodígio
cantado por coros celestes
Ave, ó açoite que afugenta a horda infernal.

Ave, portastes a Luz inefável
Ave, não contastes a ninguém o ‘modo’
Ave, transcendeis a Ciência dos sábios,
Ave, vós incendiais o coração fiel

Ave, Virgem e Esposa!

A Virtude do Altíssimo a cobriu com sua sombra e fez mãe à Virgem que não conhecia varão: aquele seio, feito fecundo desde o Alto, se converteu em campo ubérrimo para todos os que querem alcançar a Salvação, cantando desta maneira: Aleluia!

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

(…)”

(trecho do belíssimo hino Akathistos, de tradição Oriental. Fonte: Mercabá)

São José

(São Bernardino de Sena)

Quando a bondade divina escolhe alguém para uma graça singular, dá-lhe todos os carismas necessários, o que aumenta muito a sua beleza espiritual. Isto verificou-se totalmente com São José, pai legal de Nosso Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e Soberana dos anjos. O Pai eterno escolheu-o para ser o guardião fiel dos Seus principais tesouros, quer dizer, de Seu Filho e de Sua esposa, função que ele desempenhou muito fielmente. Foi por isso que o Senhor disse: «Servo bom e fiel, entra no gozo do teu senhor» (Mt 25, 21).

Se comparares José com o resto da Igreja de Cristo, não é verdade que é um homem particularmente escolhido, pelo qual Cristo entrou no mundo de maneira regular e honrosa? Pois se toda a Santa Igreja é devedora para com a Virgem Maria porque foi a Ela que foi dSão joséado receber Cristo, após Ela, é a São José que deve um reconhecimento e um respeito sem paralelo. Ele é, com efeito, o epílogo do Antigo Testamento: é nele que a dignidade dos patriarcas e dos profetas recebe o fruto prometido. Só ele possuiu realmente o que a bondade divina lhes tinha prometido. Certamente não podemos duvidar de que a intimidade e o respeito que, durante a Sua vida humana, Cristo deu a José, como um filho a seu pai, não lhe foram negados no céu, antes foram enriquecidos e completados. O Senhor também acrescentou: «Entra no gozo do teu senhor».

Lembra-te de nós, bem-aventurado José, intercede, pelo auxílio da tua oração, junto de teu Filho adoptivo; torna igualmente propícia a bem-aventurada Virgem, tua esposa, porque Ela é a mãe Daquele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos sem fim.

Oração de Santo Agostinho

“Vós sois, ó Jesus, o Cristo, meu Pai santo, meu Deus misericordioso, meu Rei infinitamente grande; sois meu bom pastor, meu único mestre, meu auxílio cheio de bondade, meu pão vivo, meu sacerdote eterno, meu guia para a pátria, minha verdadeira luz, minha santa doçura, meu reto caminho, sapiência minha preclara, minha pura simplicidade, minha paz e concórdia; sois, enfim, toda a minha salvaguarda, minha herança preciosa, minha eterna salvação...

Ó Jesus Cristo, amável Senhor, por que, em toda a minha vida, amei, por que desejei outra coisa senão vós? Onde estava eu quando não pensava em vós? Ah! que, pelo menos, a partir deste momento meu coração só deseje a vós e por vós se abrase, Senhor Jesus! Desejos de minha alma, correi, que já bastante tardastes; apressai-vos para o fim a que aspirais; procurai em verdade aquele procurais. Ó Jesus anátema seja quem não vos ama. Aquele que não vos ama seja repleto de amarguras. Ó doce Jesus, sede o amor, as delícias, a admiração de todo coração dignamente consagrado à vossa glória. Deus de meu coração e minha partilha, Jesus Cristo, que em vós meu coração desfaleça, e sede vós mesmo a minha vida. Acenda-se em minha alma a brasa ardente de vosso amor e se converta num incêndio todo divino, a arder para sempre no altar de meu coração; que inflame o âmago de minha alma; para que no dia de minha morte eu apareça diante de vós inteiramente consumido em vosso amor... Amém”.

Por que a Quaresma? Por que a Cruz?

“Se nos perguntarmos: por que a Quaresma? Por que a cruz?, a resposta, em termos radicais, é esta: porque existe o mal, e mais ainda, o pecado, que, de acordo com as Escrituras, é a raiz de todo mal. Mas esta afirmação não é algo que pode ser dado por certo, e a própria palavra "pecado" não é aceita por muitos, porque pressupõe uma visão religiosa do mundo e do homem. De fato, é verdade: quando se elimina Deus do horizonte do mundo, não se pode falar de pecado. Da mesma maneira que, quando o sol se esconde, desaparecem as sombras - a sombra só aparece quando há sol -, assim, o eclipse de Deus comporta necessariamente o eclipse do pecado. Por esta razão, o sentido do pecado - que é algo diferente do "sentimento de culpa", como é entendido pela psicologia - é adquirido redescobrindo o sentido de Deus. Isso se expressa no salmo Miserere, atribuído ao rei Davi por ocasião do seu duplo pecado de adultério e assassinato: "Contra vós - diz Davi, dirigindo-se a Deus -, só contra vós pequei" (Salmo 51,6).
Diante do mal moral, a atitude de Deus é opor-se ao pecado e salvar o pecador. Deus não tolera o mal, pois é Amor, Justiça, Fidelidade; e precisamente por esta razão, não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. Para salvar a humanidade, Deus intervém: nós o vemos na história do povo judeu, a partir da libertação do Egito. Deus está determinado a libertar seus filhos da escravidão para conduzi-los à liberdade. E a escravidão mais severa e profunda é precisamente a do pecado. Por este motivo, Deus enviou seu Filho ao mundo: para libertar os homens do domínio de Satanás, "origem e causa de todo pecado". Enviou-o à nossa carne mortal para se tornar vítima de expiação, morrendo por nós na cruz. Contra este plano de salvação definitiva e universal, o Diabo se opôs com toda sua força, como evidenciado em particular pelo Evangelho das tentações de Jesus no deserto, proclamado anualmente no primeiro domingo da Quaresma. De fato, entrar neste período litúrgico significa colocar-se cada vez mais do lado de Cristo contra o pecado, para enfrentar - seja como indivíduos, seja como Igreja - a batalha espiritual contra o espírito do mal (Quarta-Feira de Cinzas, oração coleta).”

(Papa Bento XVI – Ângelus 13.03.2011)

Exame de consciência

“Sois, por vossas ações, meus queridos Amigos da Cruz, aquilo que vosso grande nome significa? Ou pelo menos, tendes verdadeiro desejo e vontade verdadeira de assim vos tornardes, com a graça de Deus, à sombra da Cruz do Calvário e de Nossa Senhora da Piedade? Entrastes no verdadeiro caminho da vida, que é o caminho estreito e espinhoso do Calvário? Não estareis, sem o pensar, no caminho da perdição? Sabeis bem que há um caminho que parece ao homem reto e seguro, e que conduz à morte?

Distinguis bem a voz de Deus e de sua graça da voz do mundo e da natureza? Ouvis bem a voz de Deus, nosso Pai, que, depois de ter dado sua tríplice maldição a todos os que seguem as concupiscências do mundo: vae, vae, vae habitantibus in terra, grita-vos amorosamente, estendendo-vos os braços: ‘Separamini, popule meus’. Separai-vos, meu povo escolhido, queridos Amigos da Cruz de meu Filho; separai-vos dos mundanos, malditos por minha Majestade, excomungados por meu Filho e condenados pelo meu Espírito Santo. Tomai cuidado para não vos sentardes em sua cadeira toda empestada, não sigais os seus conselhos, nem mesmo pareis em seu caminho. Fugi do meio da grande e infame Babilônia; não escuteis outra voz e não sigais outras pegadas que não as de meu Filho bem amado, que vos dei para que fosse vosso caminho, vossa verdade, vossa vida e vosso modelo: ‘Ipsum audite’.

Ouvis o amável Jesus, que, carregando sua Cruz, vos grita: ‘Venite post me: vinde após mim; o que me segue não anda em trevas; confidite, ego vici mundum, tende confiança, eu venci o mundo’?”

(São Luís Maria Grignion de Montfort – Carta aos Amigos da Cruz, n.5-6)

Tu tens palavra de vida eterna (ou uma confissão)

 

“Minha sede era esbraseante e eu andei longe de Vós, porque me parecíeis muito distante. Cavei minhas cisternas e me curvei para encontrar a água que fugiu de meus lábios torturados. E minha alma se fez seca e deserta, e chorou desoladamente, porque não achou alimento nem bebida, nem remédio para as suas feridas, e meu coração desesperou porque a messe florida dos meus desejos pereceu por falta das águas fecundantes.

Senhor, eu vi aterrorizado a devastação e como não teria frutos, porque tudo se ressecava e tombava.

Repreendei-me, Jesus, que bem o mereço. É verdade que não foi a Vós que busquei e á Vossa casa de eterna sabedoria, mas a mim mesmo e à casa dos meus afetos rasteiros.

Reconheço a loucura com que, longe de Vós, sonhei tolas exaltações de minha personalidade e eis que sou humilhado. Semeei a mancheias o desvario de afetos desordenados para esquecer o vosso amor cioso, e as desilusões me vieram flagelar. Procurei comer dos festins que me proibíeis, pra saciar a fome de meu coração, e senti o abismo dentro de mim. Quis inebriar-me dos licores vertiginosos do mundo para não ouvir mais a Vossa voz que me buscava como ao primeiro homem no paraíso, mas não consegui. (…)

Jesus, eu desejo salvação. Vinde pois, Senhor! Reclamo-vos com todas as minhas fibras. Vós sois o Desejado. Aquele que meus olhos procuram e meus lábios chamam e a Quem meu coração se abre para entregar-se sem mais hesitações. Como se anela o Bem verdadeiro, depois de se sentir até a última gota a amargura dos bens mentirosos! E como sois sábio, Jesus, que assim permitistes ao vosso pobre servo chorar desalentadamente o asco do mundo e do pecado, para que agora mais e mais se inflame o vulcão de vosso Desejo e a sede insaciável de vossa Posse!”

(D. Antônio de Siqueira – Elevações)

Sermão sobre a Pureza

“Santo Ambrósio nos diz que a pureza nos eleva até o céu e nos faz deixar a terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela nos eleva por sobre a criatura corrompida e, por seus sentimentos e seus desejos, ela nos faz viver da mesma vida dos anjos. Segundo São João Crisóstomo, a castidade duma alma é de um preço aos olhos de Deus maior que a dos anjos, pois que os cristãos só podem adquirir esta virtude pelos combates, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. S. Cipriano acrescenta que, não somente a castidade nos torna semelhantes aos anjos, mas nos dá ainda um caráter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Sim, nos diz este grande santo, uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.

Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões, mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele a olha, Ele a considera como sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objeto de suas mais caras complacências, e fixa nela sua morada para sempre. ‘Bem-aventurados, nos diz o Salvador, os puros de coração, porque eles verão ao bom Deus’. Segundo S. Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí todas as outras virtudes cristãs, ela as praticará com uma grande facilidade, ‘porque’ - nos diz ele – ‘para ser casto é preciso se impor muitos sacrifícios e fazer-se uma grande violência. Mas uma vez que alcançou tais vitórias sobre o demônio, a carne e o sangue, todo o resto lhe custa muito pouco, pois uma alma que subjuga com autoridade a este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que encontra no caminho da virtude’. Vemos também, meus irmãos, que os cristãos castos são os mais perfeitos. Nós os vemos reservados em suas palavras, modestos em todos os seus passos, sóbrios em suas refeições, respeitosos no lugar santo e edificantes em toda sua conduta. Santo Agostinho compara aqueles que têm a grande alegria de conservar seu coração puro, aos lírios que se elevam diretamente ao céu e que difundem em seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos faz pensar naquela preciosa virtude. Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a todos aqueles que a olhavam... Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!’

(São João Maria Vianney – Trecho do Sermão sobre a Pureza)

O Jardim de Jesus

“Durante muito tempo eu me perguntava por que Deus tinha preferências, por todas as almas não recebiam a mesma medida de graças. Estranhava ao vê-lo prodigalizar favores extraordinários aos santos que o haviam ofendido, como são Paulo ou santo Agostinho, a quem forçava, por assim dizer, a receber suas graças; e quando lia a vida daqueles santos a quem o Senhor acariciou desde o berço até a sepultura, retirando de seu caminho todos os obstáculos que os impedisse de se elevar até Ele e provendo essas almas com tais benefícios para que nada lhes ofuscasse o brilho imaculado de suas vestes batismais, eu me perguntava por que tantos pobres selvagens, por exemplo, morriam antes mesmo de ouvir ou sequer pronunciar o nome de Deus...

Jesus quis instruir-me a respeito deste mistério. Pôs diante dos meus olhos o livro da natureza e compreendi que todas as flores por ele criadas são belas, e que o esplendor da rosa e a brancura do lírio não tiram o perfume da humilde violeta nem a simplicidade encantadora da margarida... Compreendi que se todas as flores quisessem ser rosas, a natureza perderia sua pompa primaveril e os campos já não seriam salpicados de florezinhas...

O mesmo ocorre no mundo das almas, o jardim de Jesus. Ele quis criar grandes santos, que podem ser comparados aos lírios e às rosas; mas criou também outros menores, e estes devem se conformar em ser margaridas ou violetas destinadas a alegrar os olhos de Deus quando contempla seus pés. A perfeição consiste em fazer sua vontade, em ser aquilo que Ele quer que sejamos...”

(Santa Teresa de Lisieux – História de uma Alma)

 
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