“Quereis vós também abandonar-me?

“Lembrai-vos, meus caros Confrades, que nosso bom Jesus nos olha neste instante e diz a cada um de vós em particular: ‘Eis que quase todos me abandonaram no caminho real da Cruz. Os idólatras cegos zombam de minha cruz como de uma loucura, os Judeus obstinados se escandalizam com ela, como se fosse objeto de horror, os hereges quebraram-na e derrubaram-na como coisa digna de desprezo. Mas, e isto só posso dizer com lágrimas nos olhos e com o coração transpassado de dor, os filhos que criei em meu seio e que instruí em minha escola, os meus membros, que animei com meu espírito, me abandonaram e desprezaram, tornando-se inimigos de minha cruz! - Numquid et vos vultis abire? Quereis, vós também, abandonar-me, fugindo da minha Cruz, como os mundanos, que nisto são outros tantos anticristos: antichristi multi? Quereis enfim, conformar-vos ao século presente, desprezar a pobreza de minha Cruz, para correr após as riquezas? Evitar a dor de minha Cruz para procurar aos prazeres? Odiar as humilhações de minha Cruz, para ambicionar as honras? Tenho, na aparência, muitos amigos que me fazem protestos de amor, e que, no fundo, me odeiam, pois não amam minha Cruz; muitos amigos de minha mesa e pouquíssimos amigos de minha Cruz.”

(São Luís Maria Grignion de Montfort – Carta aos Amigos da Cruz, n.11)

Importa que ele cresça e que eu diminua…

“Deus não exige muito do nosso tempo, nem da nossa atenção. Ele não exige  nem todo o nosso tempo nem toda a nossa atenção é a nós mesmos que ele quer. Valem para todos nós as palavras de João Batista: ‘Importa que ele cresça e que eu diminua’. Deus será infinitamente misericordioso em relação às nossas falhas repetitivas; mas não conheço nenhuma promessa em que ele aceite uma negociação deliberada. Em última instância Ele não tem nada a nos oferecer a não ser a si mesmo; e Deus só pode nos dar isso, na medida em que nossa vontade auto-suficiente se retrai, abrindo espaço para ele em nossa alma. Não tenhamos dúvida em relação a isso. Não restará nada ‘de nós mesmos’ para vivermos nenhuma vidinha normal. (…) O que não podemos admitir de forma alguma – e deve ser admitido somente como um inimigo não derrotado, mas ao qual se resiste diariamente – é a ideia de que tenhamos algo ‘só nosso’ a conservar; alguma área de nossa vida que esteja fora do jogo e sobre a qual Deus não tenha nada a reivindicar.

Deus exige tudo de nós, porque Ele é amor e é próprio Dele nos abençoar. Mas ele não nos pode abençoar enquanto não nos possuir por completo. Sempre que tentarmos reservar uma área de nossa vida como propriedade nossa, estaremos reservando uma área onde impera a morte. Por isso é que ele exige, com todo amor, que nos entreguemos por inteiro. Sem chance de barganha.”

(C. S. Lewis – The Weight of Glory)

O Sinal de nossa salvação

“Que ninguém core devido aos sinais da nossa salvação, que são tão dignos de veneração e de adoração; a cruz de Cristo é a fonte de todo o bem. E através dela que nós vivemos, que somos regenerados e salvos. Carreguemos a cruz como uma coroa de glória. Ela põe a sua marca em tudo o que nos conduz à salvação: quando somos regenerados pelas águas do baptismo, a cruz lá está; quando nos aproximamos do altar para receber o Corpo e o Sangue do Salvador, lá está; quando impomos as mãos sobre os eleitos do Senhor, lá está. O que quer que façamos, ela aparece, como sinal de vitória para nós. Eis a razão porque a pomos nas nossas casas, nas nossas paredes, nas nossas portas; porque fazemos esse sinal na testa e no peito; porque a trazemos no coração. Pois ela é o símbolo da nossa redenção e da nossa libertação, e da misericórdia infinita de Nosso Senhor.”

(São João Crisóstomo)

Fé: razão ou irracionalidade?

Chesterton; Amigos da Cruz

“Aqueles que gostariam de sugerir que a fé foi um fanatismo estão condenados a uma eterna perplexidade. Na explicação deles, ela deve necessariamente aparecer como fanática por nada e fanática contra quase tudo. Ela é ascética e está em guerra contra os ascetas; é romana e se revolta contra Roma; é monoteísta e luta furiosamente contra o monoteísmo; é severa em sua condenação do que é severo; é um enigma que não se pode explicar nem mesmo como irracionalidade. E que espécie de racionalidade é essa que parece razoável a milhões de imperadores cultos através de todas as revoluções de aproximadamente mil e seiscentos anos? Ninguém se diverte com um enigma, ou paradoxo, ou uma simples confusão mental durante uma espaço de tempo tão longo. Não conheço nenhuma explicação a não ser a que afirma que esse fenômeno não é uma irracionalidade, é razão; que se há fanatismo é fanatismo pela razão e contra o que não é racional.”

(G. K. Chesterton - O Homem Eterno)

 
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