Quem é Deus?

“O que sei, Senhor, sem sombra de dúvida, é que te amo. Feriste meu coração com Tua palavra, e Te amei. O céu, a terra e tudo quanto neles existe, de todas as partes me dizem que te ame; nem cessam de repeti-los a todos os homens, para que não tenham desculpas. Terás compaixão mais profunda de quem já te compadeceste, e usarás de misericórdia com quem já foste misericordioso. De outro modo, o céu e a terra cantariam Teus louvores a surdos.

Mas, que amo eu, quando te amo? Não amo a beleza do corpo, nem o esplendor fugaz, nem a claridade da luz, tão cara a estes meus olhos,  nem as doces melodias das mais diversas canções, nem a fragrância de flores, de unguentos e de aromas, nem o maná, nem o mel, nem os ombros tão afeitos aos amplexos da carne. Nada disso amo quando amo o meu Deus. E, contudo, amo uma luz, uma voz, um perfume, um alimento, um abraço, quando amo o meu Deus, que é luz, voz, fragrância, alimento e abraço de meu homem interior, onde brilha para minha alma uma~luz sem limites, onde ressoam melodias que o tempo não arrebata, onde exalam perfumes que o tempo não dissipa, onde se provam iguarias que o apetite não diminui, onde se sentem abraços que a saciedade não desfaz. Eis o que amo quando amo a meu Deus!”

(Santo Agostinho, Confissões, X, VI)

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