Solilóquio de Amor

Tarde Te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei! Eis que estavas dentro de mim, e eu lá fora a Te procurar! Eu, disforme, me atirava à beleza das formas que criaste. Estavas comigo, e eu não estava em Ti. Retinham-me longe de Ti aquilo que nem existiria, se não existisse em Ti. Tu me chamaste, gritaste por mim, e venceste minha surdez. Brilhaste, e Teu esplendor venceu minha cegueira. Exalaste Teu perfume: respirei-o e suspiro por Ti. Eu Ti saboreei, e agora tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e o desejo de Tua paz me inflama.

(Santo Agostinho. In: Confissões, X, XXVII. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 235.)

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