Escute-O dizer lhe: “Tenho sede”

Jesus na cruz: "tenho sede"

“Em Sua agonia, em Sua dor, em Sua solidão, Ele disse bem claro: ‘Por que me abandonaste?’ Ele estava terrivelmente só e esquecido, sofrendo na cruz… Neste momento tão difícil proclamou: “Tenho sede"’… e as pessoas pensaram que Ele estava sedento de maneira comum e, imediatamente deram-Lhe vinagre; mas não era disto que Ele tinha sede – era do nosso amor, nosso afeto, esse íntimo apego a Ele, esse compartilha Sua paixão. E é estranho que Ele usou tal palavra. Ele usou ‘Tenho sede’ invés de ‘Dê-me seu amor’…A sede de Jesus na cruz não é imaginação. Foi um palavra: ‘Tenho sede’. Escutemos-O dizendo isso a mim e dizendo isso a você…realmente é um dom de Deus.”

“Se você escutar com seu coração, você ouvirá, você entenderá… Até você saber no seu íntimo que Jesus tem sede de você, não poderá começar a conhecer quem Ele quer ser para você. Ou quem Ele quer que você seja para Ele.”

“Siga Seus passos em busca de almas. Leve-O e a Sua Luz dentro das casas dos pobres, especialmente às almas mais necessitadas. Espalhe a caridade do Seu coração aonde quer que vá e assim sacie Sua sede de almas.”

(Madre Teresa de Calcutá)

A Conversão de São Paulo e a nossa

São Paulo

“Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui educado nesta cidade, instruído aos pés de Gamaliel, em todo o rigor da Lei dos nossos pais e cheio de zelo pelas coisas de Deus, como todos vós sois agora. Persegui de morte esta «Via», algemando e entregando à prisão homens e mulheres, como o podem testemunhar o Sumo Sacerdote e todos os anciãos. Recebi até, da parte deles, cartas para os irmãos de Damasco, onde ia para prender os que lá se encontrassem e trazê-los agrilhoados a Jerusalém, a fim de serem castigados. Ia a caminho, e já próximo de Damasco, quando, por volta do meio dia, uma intensa luz, vinda do Céu, me rodeou com a sua claridade. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, porque me persegues?’ Respondi: ‘Quem és Tu, Senhor?’ Ele disse-me, então: ‘Eu sou Jesus de
Nazaré, a quem tu persegues.’ Os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz de quem me falava. E prossegui: ‘Que hei-de fazer, Senhor?’ O Senhor respondeu-me: ‘Ergue-te, vai a Damasco, e lá te dirão o que se determinou que fizesses.’ Mas, como eu não via, devido ao brilho daquela luz, fui levado pela mão dos meus companheiros e cheguei a Damasco. Ora um certo Ananias, homem piedoso e cumpridor da Lei, muito respeitado por todos os judeus da cidade, foi procurar-me e disse: ‘Saulo, meu irmão, recupera a vista.’ E, no mesmo instante, comecei a vê-lo. Ele prosseguiu: ‘O Deus dos nossos pais predestinou-te para conheceres a sua vontade, para veres o Justo e para ouvires as palavras da sua boca, porque serás testemunha diante de todos os homens, acerca do que viste e ouviste. E agora, porque esperas? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome.” (Atos dos Apóstolos 22, 3-16)

“Paulo aprende o que deve fazer: se ficou cego, se a luz do mundo lhe foi subtraída durante um certo tempo, foi para que no seu coração brilhasse a luz interior. A luz é retirada ao perseguidor para ser dada ao pregador; no próprio momento em que não via nada deste mundo, viu Jesus. É um símbolo para os crentes: aqueles que crêem em Deus devem fixar n'Ele o olhar da sua alma sem ter em consideração coisas exteriores.”[1] (Santo Agostinho)

“A Conversão de São Paulo é um grande acontecimento: ele passa de perseguidor a convertido, isto é, a servidor e defensor da causa de Cristo. Muitas vezes talvez, também nós mesmos nos fazemos de “perseguidores”: como São Paulo, devemos nos converter de “perseguidores” a servidores e defensores de Jesus Cristo. Com Santa Maria, reconhecemos que o Altíssimo também tem prestado atenção em nós e nos tem escolhido para participar na missão sacerdotal e redentora de seu Filho divino: Regina Apostolorum, Rainha dos apóstolos, rogai por nós!; fazei-nos valentes para dar testemunho de nossa fé cristã no mundo que devemos viver.”[2]

“Recebemos de Deus a graça da conversão. Mesmo aqueles que foram batizados ao nascerem e que cresceram num ambiente cristão e católico, podem se converter.Faziam por hábito apenas e sem colocarem vida e responsabilidade. Agora podem assumir de maneira inteiramente diversa. Não se pode chamar a isto conversão também? (…) Houve um período que você terá sentido a mão de Deus, que o arrancava destas trevas e o conduzia para a Luz e para o Reino de seu Filho Amado?Não houve merecimento algum da nossa parte. Cada um pode perceber este triunfo da graça de Deus em sua própria vida. Você terá feito a mesma experiência de Paulo.”[3]

_________________

[1] Santo Agostinho de Hipona

[2] Rev. D. Josep GASSÓ i Lécera, Espanha

[3] Pe. Fernando Cardoso

“Tomai, Senhor, e recebei…”

Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade e a minha memória também.

O meu entendimento e toda a minha vontade.

Tudo que tenho e possuo, Vós me destes com amor.

Todos os dons que me destes, com gratidão Vos devolvo.

Dispondes deles, Senhor, segundo a Tua vontade.

Dai-me somente o Vosso amor, Vossa graça.

Isso me basta, nada mais quero pedir.

(Santo Inácio de Loyola)

Felicidade, mártir em Cartago em 203

[Felicidade é uma escrava, companheira de prisão e de martírio da nobre Perpétua. Do longo relato de sua captura e de sua execução cita-se frequentemente esta passagem, que evoca a presença de Cristo naquele que morre por sua fé.]

Felicidade obteve do Senhor uma grande graça. Ela estava grávida de oito meses no momento de sua captura. Com a aproximação do dia dos jogos, ela se desolava, considerando que seu martírio seria adiado por causa de seu estado: a lei proibia que se executassem as mulheres grávidas. Ela temia também que seu sangue puro e sem mácula fosse derramado mais tarde juntamente com um bando de criminosos. Seus companheiros de martírio estavam profundamente tristes diante da perspectiva de deixar só uma companheira tão boa, uma amiga que com  eles caminhava na direção da mesma esperança.

Dessa maneira, três dias antes dos jogos, todos em conjunto, numa súplica comum, dirigiram ao Senhor a sua oração. Mal tinham terminado o seu pedido, as dores se apoderaram de Felicidade.  Em função da dificuldade natural de um parto no oitavo mês, ela sofria muito e gemia. Então, um dos carcereiros lhe disse: “Se gemes assim agora, que farás quando te lançarem às feras, que afrontastes ao te recusares a fazer sacrifício?” Felicidade lhe respondeu: “Agora sou eu que sofro o que sofro. Mas, lá embaixo, haverá um outro em mim que sofrerá por mim, porque é por ele que sofrerei”.

(Citado por Jean Comby in História da Igreja, vol. I, Ed. Loyola, pág. 45)

A vida dos primeiros cristãos

“Não se distinguem os cristãos dos demais, nem pela região, nem pela língua, nem pelos costumes. Não habitam cidades à parte, não empregam idiomas diversos dos outros, não levam gênero de vida extraordinária. A doutrina que se propõem não foi excogitada solicitamente por homens curiosos. não seguem opinião humana alguma, como vários o fazem.

(…) Seguem os costumes locais relativamente  ao vestuários, à alimentação a os restante estilo de viver, apresentando um estado de vida [político] admirável e sem dúvida paradoxal. moram na própria pátria, mas como peregrinos. Enquanto cidadãos, de tudo participam, porém tudo suportam como estrangeiros. (…) Casam-se como todos os homens e como todos procriam, mas não rejeitam os filhos. A mesa é comum, não o leito.

Estão na carne, mas não vivem segundo a carne. se a vida deles decorre na terra, a cidadania, contudo, está nos céus. Obedecem às leis estabelecidas, todavia superam-nas pela vida.

Amam a todos, e por todos são perseguidos. Desconhecidos, são condenados. São mortos e com isso se vivificam.

Pobres, enriquecem a muitos. Tudo lhes falta, e têm abundância de tudo. Tratado sem honra, e nestas desonras são glorificados. São amaldiçoados, mas justificados. Amaldiçoados e bendizem. Injuriados e tributam honras. Fazem o bem e são castigados qual malfeitores (…).

Para simplificar, o que é a alma no corpo, são no mundo os cristãos. (…) Residem no mundo, mas não são do mundo.”

Carta a Diogneto. Cap. V e VI.

“Então o céu rasgou-se”

Cristo é iluminado pelo batismo, resplandeçamos com Ele; Ele é mergulhado na água, desçamos com Ele para emergir com Ele. [...] João está a batizar e Jesus aproxima-Se: talvez para santificar aquele que O vai batizar; certamente para sepultar o velho Adão no fundo da água. Mas, antes disso e com vista a isso, Ele santifica o Jordão. E, como Ele é espírito e carne, quer poder iniciar pela água e pelo Espírito. [...] Eis Jesus que emerge da água. Com efeito, Ele carrega o mundo; fá-lo subir conSigo. «Ele vê os céus rasgarem-se e abrirem-se» (Mc 1,10), ao passo que Adão os tinha fechado, para si e para a sua descendência, quando foi expulso do paraíso que a espada de fogo defendia. Então o Espírito revela a Sua divindade, pois dirige-Se para Aquele que tem a mesma natureza. Uma voz desce do céu para dar testemunho Daquele que do céu vinha; e, sob a aparência de uma pomba, honra o corpo, pois Deus, ao mostrar-Se sob uma aparência corpórea, diviniza igualmente o corpo. Foi
assim que, muitos séculos antes, uma pomba veio anunciar a boa nova do fim do Dilúvio (Gn 8,11). [...]
Quanto a nós, honremos hoje o batismo de Cristo e celebremos esta festa de um modo irrepreensível. [...] Sede inteiramente purificados e purificai-vos sempre. Pois nada dá tanta alegria a Deus como a recuperação e a salvação
do homem: é para isso que tendem todas estas palavras e todo este mistério. Sede «como fontes de luz no mundo» (Fil 2,15), uma força vital para os outros homens. Como luzes perfeitas secundando a grande Luz, iniciai-vos na vida de luz que está no céu; sede iluminados com mais claridade e brilho pela Santíssima Trindade.

(São Gregório Nazianzeno, bispo e doutor da Igreja)

Fonte: www.evangelhoquotidiano.org

Os Magos

“Alguns dias depois, três magos chegaram da Caldéia e se ajoelharam diante de Jesus. Vinham talvez de Ecbátana ou das margens do Cáspio, no dorso dos camelos, com os alforges cheios pendentes das selas; passando a vau o Tigre e o Eufrates, atravessando o deserto dos Nômades e costeando o Mar Morto.
Uma estrela nova – semelhante ao cometa que anunciava por vezes o nascimento de um profeta ou a morte de um César – conduzira-os ao país judeu; vieram para adorar um rei e encontraram um infante no estábulo.
Quase mil anos antes deles, viera também, do Oriente para a Judéia, uma rainha carregada de presentes: ouro, perfumes e pedras preciosas. Mas encontrara no seu trono o maior dos reis de Israel e da sua boca ouvira o que jamais ninguém lhe havia ensinado. E os magos, mais sábios que os reis, encontraram apenas um recém-nascido, incapaz de interrogar ou responder, um menino que, quando se tornasse homem, desprezaria os tesouros materiais e a ciência da matéria. Os magos eram, na Pérsia e na Média, não reis, mas senhores dos reis; guiavam os governadores do povo. Eram os sacrificadores, os intérpretes dos sonhos, os adivinhos, os ministros, os únicos intermediários entre o povo e Ahura Mazda, o Deus bom; só eles conheciam o futuro; com as suas mãos matavam os animais inimigos do homem: as serpentes, os insetos nocivos e as aves nefastas. Purificavam as almas e os campos; Deus só se comprazia com os seus dons e os reis não declaravam guerra sem ouvi-los. Possuíam os segredos da terra e do céu e eram, ao mesmo tempo, os dominadores da pátria em nome da religião e da sabedoria.
Representavam o Espírito no meio do povo que vivia para a Matéria. Era justo que viessem pois adorar a Jesus. Após os animais que são a Natureza e os pastores que são o povo, este outro poder: a sabedoria ajoelhava-se diante do presépio de Belém. A velha casta sacerdotal do Oriente submeteu-se ao novo senhor que veio evangelizar o Ocidente: seus padres inclinavam-se diante daquele que com a nova ciência do Amor dominará a ciência das palavras e dos números. Os magos em Belém representam as teologias antigas reconhecendo a Revelação definitiva, o saber humilhando-se diante da Inocência, a riqueza aos pés da Pobreza. Oferecem a Jesus o ouro que ele desprezará: e não o oferecem por vê-lo pobre, mas para seguir de antemão o conselho evangélico: vende tudo o que possuis e dá-o aos pobres.
Não lhe ofertam incenso para perfumar o estábulo, mas porque vão acabar-se os seus ritos e os fumos e perfumes serão então inúteis nos seus altares. Oferecem-lhe a mirra que serve para embalsamar os mortos, porque sabem que, devendo o Filho morrer, a Mãe, hoje sorridente, deverá embalsamar-lhe o cadáver.
Ajoelhados sobre a palha, envolvidos em suntuosos mantos, eles que são doutos, adivinhos e poderosos, se oferecem a si mesmos, como penhor da obediência do mundo. Jesus obteve então todas as investiduras a que tinha direito. Com a partida dos magos começa para ele a perseguição daqueles que o odeiam e o odiarão até a morte.”
(Giovanni Papini, Storia di Cristo via Blog Spes in Alium)

Santa Maria, Mãe de Deus

"Salve, Maria, Mãe de Deus, veneradíssimo tesouro de todo o círculo, tocha inextinguível, coroa da virgindade, trono da reta doutrina, templo indestrutível, pequena habitação daquele que não pode ser contido em lugar algum, Virgem e Mãe por quem nos deu o chamado nos Evangelhos bendito o que vem em nome do Senhor.

Salve, você que encerrou em seu seio virginal ao que é imenso e inacabável. Você, por quem a Santíssima Trindade é adorada e glorificada. Você, por quem a cruz preciosa é celebrada e adorada em todo mundo. Você, por quem exulta o céu, alegram-se os anjos e arcanjos, fogem os demônios, por quem o diabo tentador foi arrojado do céu, e a criatura, queda pelo pecado, é elevada ao céu...

Quem de entre os homens será capaz de elogiar como se merece a Maria, digna de tudo louvor? É Virgem e Mãe: que maravilha! Este milagre me enche de estupor. Quem ouviu jamais dizer que ao construtor de um templo se o proíba entrar nele? Quem poderá tachar de ignomínia a quem toma a sua própria pulseira por Mãe?

Nós temos que adorar e respeitar a união do Verbo com a carne, temos que ter temor de Deus e dar culto a Santa Trindade, temos que celebrar com nossos hinos a Maria, a sempre Virgem, templo santo de Deus, e a seu Filho, o Marido da Igreja, nosso Senhor Jesus Cristo. a glória pelos séculos dos séculos. Amém."

 

São Cirilo de Alexandria, século V, em Homilia no Concílio de Éfeso

Fonte: ACI Digital

Theotokos – Louvores à Virgem


“Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou?” (S. Cirilo de Alexandria)

 
“A Virgem gerou a Luz, sem ficar com nenhum sinal, como a sarça que ardia ao fogo sem se consumir.” (S. Efrem)

 
“Quem ama ardentemente alguma coisa costuma trazer seu nome nos lábios e nela pensar noite e dia. Não se me censure, pois, se pronuncio este terceiro panegírico da Mãe de meu Deus, como oferenda em honra de sua partida. Isto não será favor para ela mas servirá a mim mesmo e a vós, aqui presentes… Não é Maria que precisa de elogios, nós é que precisamos de sua glória. Um ser glorificado, que glória pode receber ainda? a fonte da luz, como será iluminada ainda?” (S. João Damasceno)¹
 
Chamada nos evangelhos ‘a Mãe de Jesus’ (Jo 2, 1; 19, 25)(150), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo e desde antes do nascimento do seu Filho, como «a Mãe do meu Senhor» (Lc 1, 43). Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus (‘Theotokos’)”²
“Alegra-te, porque te tornas o trono e o palácio do Rei.
Alegra-te: tu levas em ti Aquele que tudo pode.
Alegra-te, estrela que anuncias o nascer do Sol.
Alegra-te, porque em teu seio Deus tomou a nossa carne.
Alegra-te: por ti, toda a criação é renovada.
Alegra-te: por ti, o Criador fez-se menino.
Alegra-te, Esposa que não foste desposada. (…)

Alegra-te: a ti Deus revela os seus desígnios inefáveis.
Alegra-te, confiança dos que rezam em silêncio.
Alegra-te: tu és a primeira das maravilhas de Cristo.
Alegra-te: em ti são recapituladas as doutrinas divinas.
Alegra-te, escada pela qual Deus desce do Céu.
Alegra-te, ponte que nos conduz da terra ao Céu. (…)

Alegra-te, Esposa que não fostes desposada.”                                                                                                                                           Hino Bizantino Acatistos à Mãe de Deus³

 
 
²Catecismo da igreja Católica - §495
 
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