Por que meditar os mistérios da Encarnação de Cristo?

“Para a confirmação da nossa fé. Os homens não acreditaram nelas [nas verdades de Deus faladas pelos Patriarcas, profetas e por João Batista] como acreditaram em Cristo, que esteve com Deus, e, mais do que isso, constituía um só com Ele. (…)

Para elevação da nossa esperança. Sabemos que o Filho de Deus, não sem elevado motivo, veio a nós, assumindo a nossa carne, mas para grande utilidade nossa. Fez, para consegui-la, um certo comércio: assumiu um corpo animado, e dignou-se nascer da Virgem Maria, para nos entregar a sua divindade (…)

Para que a nossa caridade seja mais fervorosa. Nenhum indício é mais evidente da caridade divina que o de Deus, criador de todas as coisas, fazer-se criatura; o do Senhor nosso, fazer-se nosso irmão; o do Filho de Deus fazer-se filho do homem. (…)

Para a conservação da pureza de nossa alma. A nossa natureza foi a tal ponto enobrecida e exaltada pela união com Deus, que foi assumida para consociar-se com uma Pessoa Divina. (…)

[Para] aumentar em nós o desejo de nos aproximarmos de Cristo. Sendo Cristo nosso irmão, devemos desejar estar com Ele e nos unirmos a Ele.”

(S. Tomás de Aquino – Exposição sobre o Credo)

Sermão para o Natal

“Jesus Cristo nasceu, rendei-lhe glória! Cristo desceu dos céus, correi para ele! Cristo está sobre a terra, exaltai-o! ‘Cantai ao Senhor, terra inteira. Alegria no céu; terra, exulta de alegria!’ (Sl 96,1.11). Do céu, ele vem habitar no meio dos homens; estremecei de temor e de alegria: de temor, por causa do pecado; de alegria, por causa da nossa esperança. Hoje, as sombras se dissipam e a luz se eleva sobre o mundo; como outrora no Egito envolto em trevas, hoje uma coluna de fogo ilumina Israel. O povo, que estava sentado nas trevas da ignorância, contempla hoje essa imensa luz do verdadeiro conhecimento porque ‘o mundo antigo desapareceu, todas as coisas são novas’ (2 Co 5,17). A letra recua, o espírito triunfa (Rm 7,6); a prefiguração passa, a verdade aparece (Col 2,17).

Aquele que nos deu a existência quer também inundar-nos de felicidade; essa felicidade que o pecado nos havia feito perder, a encarnação do Filho nos devolve… Tal é esta solenidade: saudamos hoje a vinda de Deus ao meio dos homens para que possamos, não chegar mas regressar para junto de Deus; a fim de que nos despojemos do homem velho e nos revistamos do Homem novo (Col 3,9), a fim de que, mortos em Adão, vivamos em Cristo (1 Co 15,22)… Celebremos pois este dia, cheios de uma alegria divina, não mundana, mas uma verdadeira alegria celeste. Que festa, este mistério de Cristo! Ele é a minha plenitude, o meu novo nascimento.”

São Gregório Nazianzeno

(Fonte: didascalion.tk)

O Salvador vem para destruir o mal

“O Salvador, portanto, vem para reduzir à impotência a obra do mal e tudo aquilo que pode manter-nos distantes de Deus, para restituir-nos ao antigo esplendor e à primitiva paternidade. Com a sua vinda entre nós, Deus indica-nos e dá-nos também uma missão: exatamente aquela de ser semelhantes a Ele e de tender à verdadeira vida, de chegar à visão de Deus no rosto de Cristo. Santo Irineu afirma: "O Verbo de Deus colocou a sua morada entre os homens e se fez Filho do homem, para acostumar o homem a perceber Deus e para acostumar Deus a colocar sua morada no homem segundo a vontade do Pai. Por isso, Deus nos deu como 'sinal' da nossa salvação aquele que, nascido da Virgem, é o Emanuel" (ibidem). Também aqui há uma ideia central muito bela de Santo Irineu: devemos acostumar-nos a perceber Deus. Deus está normalmente distante da nossa vida, das nossas ideias, do nosso agir. Ele veio ser próximo a nós e devemos habituar-nos a estar com Deus. E, audaciosamente, Irineu ousa dizer que também Deus deve se habituar a estar conosco e em nós. E que Deus, talvez, deveria acompanhar-nos no natal, habituar-nos a Deus, como Deus se deve habituar a nós, à nossa pobreza e fragilidade. A vinda do Senhor, por isso, não pode ter outro propósito senão aquele de ensinar-nos a ver e amar os acontecimentos, o mundo e tudo aquilo que nos circunda, com os olhos próprios de Deus. O Verbo feito criança ajuda-nos a compreender o modo de agir de Deus, a fim de que sejamos capazes de deixar-nos sempre mais transformar pela sua bondade e pela sua infinita misericórdia.”

(Papa Bento XVI, Catequese de 22.12.2010)

“Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo…”

Presépio

“'Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar os céus e a terra?’ Assim canta Israel num dos seus Salmos (113/112, 5s.), onde exalta simultaneamente a grandeza de Deus e sua benigna proximidade dos homens. Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo… Deus é imensamente grande e está incomparavelmente acima de nós. Esta é a primeira experiência do homem. A distância parece infinita. O Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início. Mas depois vem a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, que ‘está sentado nas alturas’, Ele olha para baixo. Inclina-se para baixo. Ele vê-nos a nós, e vê-me a mim. Este olhar de Deus para baixo é mais do que um olhar lá das alturas. O olhar de Deus é um agir. O fato de Ele me ver, me olhar, transforma-me a mim e o mundo ao meu redor. Por isso logo a seguir diz o Salmo: ‘Levanta o pobre da miséria…’ Com o seu olhar para baixo, Ele levanta-me, toma-me benignamente pela mão e ajuda-me, a mim próprio, a subir de baixo para as alturas. ‘Deus inclina-Se’. Esta é uma palavra profética; e, na noite de Belém, adquiriu um significado completamente novo. O inclinar-Se de Deus assumiu um realismo inaudito, antes inimaginável. Ele inclina-Se: desce, Ele mesmo, como criança na miséria do curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus desce realmente. Torna-Se criança, colocando-Se na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O Criador que tudo sustenta nas suas mãos, de Quem todos nós dependemos, faz-Se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral. No Antigo Testamento, o templo era considerado quase como o estrado dos pés de Deus; a arca santa, como o lugar onde Ele estava misteriosamente presente no meio dos homens. Deste modo sabia-se que sobre o templo, escondida, estava a nuvem da glória de Deus. Agora, está sobre o curral. Deus está na nuvem da miséria de uma criança sem lugar na hospedaria: que nuvem impenetrável e, no entanto, nuvem da glória! De facto, de que modo poderia aparecer maior e mais pura a sua predileção pelo homem, a sua solicitude por ele? A nuvem do encobrimento, da pobreza da criança totalmente necessitada do amor, é ao mesmo tempo a nuvem da glória. É que nada pode ser mais sublime e maior do que o amor que assim se inclina, desce, se torna dependente. A glória do verdadeiro Deus torna-se visível quando se abrem os nossos olhos do coração diante do curral de Belém.

(Homilia do Papa Bento XVI, Solenidade do Natal do Senhor de 2008)

Ele está a caminho…

Republicado de Vida e Castidade

As perfeições de Deus

“Que és , portanto, ó meu Deus? Que és, repito, senão o Senhor Deus? E que Senhor pode haver fora do Senhor, ou que Deus além do nosso Deus? Ó Deus sumo, excelente, poderosíssimo, onipotentíssimo, misericordiosíssimo e justíssimo.

Tão oculto e tão presente, formosíssimo e fortíssimo, estável e incompreensível; imutável, mudando todas as coisas, nunca novo e nunca velho; renovador de todas as coisas, conduzindo á ruína os soberbos sem que eles o saibam; sempre agindo e sempre em repouso; sempre granjeando e nunca necessitado;…

Todo Teu

“Eu sinto, Senhor, vossa providência que se compraz em fazer como a vigilante dona de casa a percorrer, lanterna em punho, os desvãos esquecidos onde talvez se aninhe o lixo sórdido ou o roubo cauteloso.

Penetrais às vezes no meandro de mim mesmo, e para eu não brade como quem se sente cercado de ladrões, Vós me tomais pela mão e me fazeis companheiro de vossa sindicância amorosamente severa.

(…)

Eu enrubesço com o pensamento de que vossos olhos se ofenderão ao encontrar nesta casa, templo do vosso Espírito Santo, não só as ninharias e frivolidades do mundo, que ainda não varri, embora as tenha recuado para um cantinho discreto, que sabe mesmo para vos enganar a Vós e a mim próprio, mas ainda as miseráveis reservas do meu amor louco, por mim dissimuladas dolorosamente, mísero que sou, como se as pudera ocultar de Vós que me contempláveis ainda antes que eu fosse, e pensando furta-me àqueles olhos de vossa repreensão meiga e tão funda a que não resistem as pobres lágrimas de meu arrependimento…

Hoje, Jesus, Vós me forçais a descer convosco nestes recônditos escuros, iluminais as minhas trevas. Nesta dobra, mestre, há sim alguma coisa encoberta. (…) Eu reconheço que há demência de amor-próprio e

Um Rei que reina da Cruz

Jesus Crucificado

“Eles queriam uma grande Rei,/ que fosse forte e dominador./ E por isso não creram n’Ele/ e mataram o Salvador” (Canção popular católica)

"A agonia na cruz é o momento mais sublime da vida de Jesus como homem. É o seu sacrifício, que não só é acompanhado duma intensa dor, mas também duma profunda humilhação, que consiste em se desprender de todo contato com sua divindade e se mostrar na hora da morte como um simples mortal, um homem sofrido e humilhado, como um escravo castigado e não como um senhor dominador. Por isso, Deus se aproxima muito mais de todos nós na cruz infamante, assumindo toda nossa fragilidade e adotando o mais débil e frágil da natureza humana, num momento em que as forças e o sofrimento igualam todos os homens. E, não obstante, é nesse momento de fragilidade e abatimento em que Jesus morria, que o título dizia a verdade: Ele era por causa de sua cruz o rei dos judeus. Aceitá-lo como tal nesse momento paradoxal de sua vida, exige maior fé do que, vendo-o ressuscitado, confessar como Tomé: Meu Senhor e meu Deus! Esta foi a fé do bom ladrão, como vulgarmente falamos dele. A fé deste converso é um chamado para que nós vejamos, no Jesus da cruz, o verdadeiro Cristo, modelo de nossas vidas, sem ter que recorrer ao Jesus ressuscitado na Páscoa.”

(Pe. Ignácio via Presbiteros)

“Foi a Cruz que reconciliou o homem com Deus”

CruzPregosAmor

Foi a cruz que reconciliou os homens com Deus, que fez da terra um céu, que uniu os homens aos anjos. Ela derrubou a cidadela da morte, destruiu o poder do demónio, libertou a terra do mal, estabeleceu os fundamentos da Igreja. A cruz é a vontade do Pai, a glória do Filho, o júbilo do Espírito Santo. [...]
A cruz é mais brilhante que o sol porque, quando o sol se turva, a cruz resplandece; e o sol turva-se, não no sentido de ser aniquilado, mas de ser vencido pelo esplendor da cruz. A cruz rasgou a ata da nossa condenação, quebrou as cadeias da morte. A cruz é a manifestação do amor de Deus: “Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigênito, a fim de que todo o que Nele crê não se perca”. A cruz abriu o paraíso, deixou que nele entrasse o malfeitor (Lc 23,43) e conduziu ao Reino dos Céus a criatura humana, destinada à morte.

(São João Crisóstomo)

Libertos dos laços do pecado pela cruz de Cristo

São Paulo disse: «Quanto a mim, porém, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Ga 6,14). Foi coisa deveras admirável, ter aquele cego de nascença recuperado a vista em Siloé; mas que significou isso para todos os outros cegos do mundo? A ressurreição de Lázaro, morto havia quatro dias, foi coisa grande que ultrapassou a natureza; mas essa graça aproveitou apenas a ele, nada trouxe a todos os que, no mundo, tinham morrido pelos pecados cometidos. Foi assombroso fazer brotar, a partir de apenas cinco pães, alimento bastante para saciar cinco mil homens; mas isso nada significou para aqueles que, em todo o universo,
sofriam de fome e de ignorância. Admirável foi a libertação de uma mulher acorrentada por Satanás desde há dezoito anos; mas que significará esse facto, comparando-o com a situação de todos nós, que estamos amarrados com as cadeias dos nossos pecados ?
Ora, a vitória da cruz conduziu à luz todos aqueles que a ignorância tornava cegos, libertou todos os que o pecado fazia cativos, e resgatou toda a humanidade. Não te surpreenda que o mundo inteiro tenha sido resgatado. Aquele que morreu por este resgate não era só um homem, mas o Filho unigénito de Deus. O pecado de Adão trouxe a morte ao mundo inteiro; se a queda de um só fez reinar a morte sobre todos os homens, não há-de a justiça de um só, com muito mais forte razão, fazer reinar a vida? (Rom 5,
17) Se outrora, pela árvore cujo fruto comeram, os nossos primeiros pais foram expulsos do paraíso, não hão-de então agora, pela árvore da cruz de Jesus, entrar os crentes muito mais facilmente no Paraíso? Se o primeiro ser modelado de barro a todos a morte trouxe, não há-de Aquele que do barro o modelou trazer a todos a vida eterna, pois se é Ele próprio a Vida? (Jo 14, 6)

(São Cirilo de Jerusalém)

Promoção de Aniversário Amigos da Cruz


No próximo dia 14 de novembro (domingo) o Blog Amigos da Cruz estará completando 1 ano! E para comemorar a data, o blog está realizando uma promoção que garantirá ao vencedor um kit de livros que inclui o nosso inspirador: "Carta aos amigos da Cruz", de São Luiz de Montfort. Para participar, basta seguir o amigos da cruz no twitter (@amigosdacruz) e completar a frase "Uma amigo da Cruz é...", acrescentando #amigosdacruz. O autor da melhor frase irá faturar o prêmio, além de ganhar um retwitte da frase e sua publicação no blog. Quem quiser, pode também participar deixando sua frase aqui na caixa de comentários. Há também um opção no Orkut: fazendo parte da comunidade Amigos da Cruz  (veja link no próprio blog) e completando a frase. O nome do ganhador será anunciado dia 14 de dezembro de 2010.

Nosso padroeiro é São Serapião, santo do dia 14.11. São co-padroeiros: Nossa Senhora de Fátima e São Luiz Maria Grignion de Montfort.

Saber orar

“… celebravam-se bodas em Caná da Galileia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles já não têm vinho’(…)”. (Lc 2, 1-3)

Convém notar, como a alma, nesse verso, não faz outra coisa, não ser representar sua pena ou necessidade ao Amado. Quem ama discretamente não cuida de pedir o que deseja ou lhe falta: basta-lhe mostrar sua necessidade para que o Amado faça o que for servido. Assim procedeu a bendita Virgem com o amado filho nas bodas de Caná; não lhe pediu diretamente o vinho, mas disse apenas: ‘não têm vinho’ (Jo 2,3). As irmãs de Lázaro não mandaram pedir ao mestre que curasse o irmão; mandaram dizer-lhe tão-somente: ‘Eis que está enfermos aquele a quem amas’ (Jo 11, 3) Isto se deve fazer por três razões: Primeira: melhor sabe o Senhor o que nos convém, do que nós mesmos. Segunda: mais se compadece o amado, vendo a necessidade do amante e sua resignação. Terceira: mais segura vai a alma quando ao amor de si mesma e ao juízo próprio, manifestando sua indigência, do que pedindo o que lhe falta.

( São João da Cruz, Cântico Espiritual 2, 8)

Quem é Deus?

“O que sei, Senhor, sem sombra de dúvida, é que te amo. Feriste meu coração com Tua palavra, e Te amei. O céu, a terra e tudo quanto neles existe, de todas as partes me dizem que te ame; nem cessam de repeti-los a todos os homens, para que não tenham desculpas. Terás compaixão mais profunda de quem já te compadeceste, e usarás de misericórdia com quem já foste misericordioso. De outro modo, o céu e a terra cantariam Teus louvores a surdos.

Mas, que amo eu, quando te amo? Não amo a beleza do corpo, nem o esplendor fugaz, nem a claridade da luz, tão cara a estes meus olhos,  nem as doces melodias das mais diversas canções, nem a fragrância de flores, de unguentos e de aromas, nem o maná, nem o mel, nem os ombros tão afeitos aos amplexos da carne. Nada disso amo quando amo o meu Deus. E, contudo, amo uma luz, uma voz, um perfume, um alimento, um abraço, quando amo o meu Deus, que é luz, voz, fragrância, alimento e abraço de meu homem interior, onde brilha para minha alma uma~luz sem limites, onde ressoam melodias que o tempo não arrebata, onde exalam perfumes que o tempo não dissipa, onde se provam iguarias que o apetite não diminui, onde se sentem abraços que a saciedade não desfaz. Eis o que amo quando amo a meu Deus!”

(Santo Agostinho, Confissões, X, VI)

A Oração: alavanca dos Santos

“Um cientista disse: ‘Dêem-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo.’ O que Arquimedes não conseguiu obter, porque seu pedido não foi feito a Deus e era feito só do ponto de vista material, os santos o obtiveram em toda a sua plenitude.

O Todo-Poderoso deu-lhes como ponto de apoio: Ele próprio e só Ele. Como alavanca: a oração que abrasa pelo fogo do amor. Foi com isso que ergueram o mundo. É com isso que os santos que ainda militam

Caminho estreito

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“Deus criou as almas humanas para si. Ele quer uni-las a Si e lhes dá a imensa plenitude e incalculável felicidade de Sus própria vida divina – isso já nessa vida. Esse é o alvo para o qual Deus orienta as almas e ao qual todas devem tender com todas as forças. O caminho para lá é estreito e íngreme. A maioria se detém no meio da jornada; poucos passam das tentativas iniciais; pouquíssimas almas chegam ao objetivo final. A razão disso está nos perigos do caminho, ou seja, os perigos do mundo, do inimigo maligno e da própria natureza humana.”

Santa Edith Stain (em comentários às obras de São João da Cruz). A ciência da Cruz. 4 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004. 

“Por suas chagas…”

Jesus aceitou, exclusivamente por Sua vontade, os sofrimentos anunciados pela Escritura. Tinha-os predito muitas vezes aos discípulos e tinha mesmo repreendido Pedro severamente por ter acolhido este anúncio com desagrado (Mt 16, 23); por fim, tinha-lhes mostrado que seriam para salvação do mundo. Foi por isso que Se designou a Si mesmo aos que vinham buscá-Lo: “Sou Eu” (Jo 18, 5.8).

[...] Esbofetearam-No, cuspiram-Lhe em cima, foi ultrajado, torturado, flagelado, e por fim crucificado. Aceitou que dois ladrões, um à direita e outro à esquerda, fossem associados ao Seu suplício; colocado ao nível de assassinos e criminosos, recolhe o vinagre e o fel, frutos de uma vinha perversa; troçam Dele, atingindo-O com uma cana, perfuram-Lhe o lado com uma lança, e por fim depositam-No no túmulo.E sofreu tudo isto para nos dar a salvação. [...] Por meio dos espinhos, pôs fim aos castigos infligidos a Adão, que devido ao seu pecado tinha escutado a seguinte sentença: «Maldita seja a terra por tua causa! Há-de produzir para ti espinhos e cardos» (Gn 3, 17-18). Com o fel, tomou para Si o que há de amargo e penoso na vida mortal e dolorosa dos homens; com o vinagre, aceitou a degenerescência da natureza humana e concedeu-lhe a restauração num estado melhor. Por meio da púrpura, simbolizou a Sua realeza; pela cana, sugeriu quão fraco e frágil é o poder do demónio. Pela bofetada, proclamou a nossa libertação [como se fazia aos escravos]; suportou as violências, as correções e as chicotadas que nos eram devidas.Foi atingido no lado, fazendo lembrar Adão. Porém, ao invés da fazer sair dele a mulher que, por meio do pecado, deu à luz a morte, fez jorrar uma fonte de vida (Gn 2, 21; Jo 19, 34), que vivifica o mundo através de uma dupla corrente: a primeira renova-nos e reveste-nos da veste da imortalidade no baptistério; a segunda, após este nascimento, alimenta-nos à mesa de Deus, como se dá de mamar aos recém-nascidos.

(Teodoreto de Cyr)

Nossa Senhora das Dores

A ti, uma espada traspassará tua alma
(…) o momento forte do sofrimento de Maria, no que Ela vive mais intensamente a cruz, é o momento da crucificação e a morte de Jesus.
Também na dor, Maria é modelo de perseverança na doutrina evangélica ao participar nos sofrimentos de Cristo com paciência (cf. Regra de São Bento, Prólogo 50). Assim tem sido perante sua vida toda e, sobre tudo, no momento do Calvário. Assim, Maria transforma-se em figura e modelo para todo cristão. Por ter

Viver de amor


No entardecer do amor, falando sem figuras,               
Assim disse Jesus: “Se alguém me quer amar,         
Saiba sempre guardar minha palavras,                   
Para que o Pai e Eu o venhamos visitar.                       
Se do seu coração fizer Nossa morada,                  
Vindo até ele, então, haveremos de amá-lo,                  
E irá cheio de paz viver 
Em Nosso amor!

Viver de amor, Senhor, é Te guardar em mim,    
Verbo incriado, Palavra de meu Deus                          

Qual o maior mandamento?

 "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? 
Amarás o Senhor Teu  Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento! E o segundo é semelhante a este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Cf. Mt 22, 36-38)

Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro, e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas ser “piedoso” e cumprir os meus “deveres religiosos”, então definha também a relação com Deus. Neste caso, trata-se duma relação “correta”, mas sem amor. Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor me torna sensível também diante de Deus. Só o serviço ao próximo abre os meus olhos para aquilo

Como Cristo, tomar a Cruz

Cruz gloriosa
Veja como por você ele se fez desprezível e siga-O, sendo desprezível por Ele neste mundo. Com o desejo de imitá-Lo, (…) olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belho entre os filhos dos homens feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angustias próprias da Cruz.
Se você sofrer com Ele, com Ele vai reinar; se chorar com Ele, com Ele vai se alegrar; se morrer com Ele  na

A Vigilância e seu prêmio

São Boaventura
Vigiai de tal maneira, com afetos incessantes, fervorosas no espírito da devoção, que, quando se ouvir o clamor e chegar o Esposo, possais ir fielmente ao seu encontro com lâmpadas cheias do óleo do amor e da alegria, prontos para entrar com Ele nas bodas da felicidade eterna, com exclusão das virgens loucas. Lá, Cristo vai acomodar suas esposas com os anjos e os eleitos e passará a servir-lhes o pão da vida, a carne do Cordeiro imolado, o peixe assado na Cruz, cozido no fogo do amor em que vos amou fervorosamente. Dar-vos-á a beber o vinho mesclado se Sua Humanidade e Divindade, de que bebem os amigos e se inebriam os mais queridos com admirável sobriedade. Desfrutarão de vez em quando da transbordante doçura reservada

A confissão

Confissão
A confissão é um ato magnífico, um ato de grande amor. Só aí podemos entregar-nos enquanto pecadores, portadores de pecado, e só da confissão podemos sair como pecadores perdoados, sem pecado.
A confissão nunca é mais do que humildade em ação. Dantes chamávamos-lhe penitência mas trata-se na verdade de um sacramento de amor, do sacramento do perdão. Quando se abre uma brecha entre mim e Cristo, quando o meu amor faz uma fissura, qualquer coisa pode vir preencher essa falha. A confissão é esse momento em que eu permito a Cristo suprimir de mim tudo o que divide, tudo o que destrói. A realidade dos meus pecados deve vir primeiro.

Pe. Pio e a Cruz

Padre Pio e a Cruz

"A cruz nunca o oprimirá. O peso da cruz pode fazê-lo vacilar, mas a força dela o sustentará." (Padre Pio)

Só por Ti Jesus…

“ Só por Ti, Jesus, quero me consumir. Como vela que queima no altar, me consumir de amor.” (Mensagem Brasil)
MP900409036
A vela é um modelo sublime para o cristão. Consome-se para iluminar, para clarear os sem-luz, para indicar a direção a seguir. Parece um serviço inglório: enquanto brilha, perde-se, vira vapor. Mas não deve ser assim também um cristão?

“Quem pode perdoar os pecados se não só Deus?” (Mc2, 7)

Cristo perdoa paralitico
“Há duas coisas que pertencem apenas a Deus: a honra de receber a confissão e o poder de perdoar. Devemos confessar-nos a Ele e esperar d'Ele o perdão.
Com efeito, perdoar os pecados pertence unicamente a Deus; por isso é apenas a Ele que devemos confessá-los. Mas o Todo-Poderoso, o Altíssimo, tendo tomado uma esposa fraca e insignificante, fez dela uma rainha. E colocou-a a Seu lado, ela que estava a Seus pés; pois foi do Seu lado que ela saiu e foi por aí que Ele a desposou (Gn 2, 22; Jo 19, 34). E, tal como tudo o que pertence ao Pai é do Filho e tudo o que é do Filho é do Pai pela unidade da Sua natureza (Jo 17, 10), assim também o esposo deu todos os Seus bens

Salve, ó Cruz!

Salve, Cruz verdadeira, santificada por JESUS Cristo que em ti morreu para nos salvar! Oh! sagrado lenho florido de milagres, cujos braços sempre abertos simbolizam a infinita misericórdia do redentor, sede minha salvação!

Deus te salve, Cruz preciosa; Por ti me salve Quem em ti me redimiu!

“Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”

Cruz
(…) E Jesus, diante desta profissão de fé [a de Pedro em Lc 9, 21], renova a Pedro e aos demais discípulos o convite a segui-lo pela estrada exigente do amor até a Cruz. Também a nós, que podemos conhecer o Senhor mediante a fé em sua Palavra e os Sacramentos, Jesus dirige a proposta de segui-lo todos os dias, e também a nós lembra que, para sermos seus discípulos, é necessário que nos apropriemos do poder de sua Cruz, ápice de nossos bens e coroa de nossa esperança.
São Máximo, o Confessor, observa que “o sinal distintivo do poder de nosso Senhor Jesus Cristo é a cruz,

Que Jesus e Maria sejam sempre louvados!

 

“Que Jesus e Maria sejam sempre louvados!

Jesus nos disse no Evangelho que o prêmio é destinado não a quem começa bem, nem a quem continua no caminho do bem por um certo tempo, mas a quem persevera até o fim. Portanto, quem começou, procure perseverar sempre melhor. Quem está prosseguindo, procure chegar até o fim. E, quem desgraçadamente não começou ainda, ponha-se no caminho correto.

Esforcemo-nos todos em perseverar. Sei que é uma tarefa bastante difícil. Porém, com o exemplo dos santos e com o auxílio da Virgem Santíssima, a graça de Deus, que está sempre pronta para quem a procura, nunca nos faltará. Por isso, revistamo-nos de constância, de paciência e de perseverança. E, então, se verificará em nós aquilo que o próprio Jesus nos disse no Evangelho: “Aquele que persevera até o fim, esse se salvará!”

Desejo a todos uma boa noite, cheia de graças e de bênçãos. E uma benção muito especial não somente a vocês, mas a todos aqueles que estão nos seus corações; especialmente às suas famílias e as pessoas a quem vocês querem bem. Mas, de modo especial, uma benção aos pobres doentes e aos sofredores. Que o Senhor infunda neles coragem e perseverança, e lhes dê saúde. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Que Jesus e Maria sejam sempre louvados!” (Padre Pio de Pietrelcina)

Oração ao Santíssimo Sacramento e ao Sagrado Coração de Jesus

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Eis a que ponto chegou a Vossa excessiva caridade, ó amantíssimo Jesus meu. Vós me preparaste um banquete divino da Vossa Carne e do Vosso preciosíssimo Sangue, para Vos entregardes Todo a mim. Quem pode impelir-me a tais transportes de amor? Foi somente o Vosso amorosíssimo Coração. Ó Coração adorável do meu Jesus, fornalha ardentíssima do divino amor, recebei em Vossa sacratíssima chaga a minha alma para que eu aprenda a pagar com amor àquele Deus que me deu tão admiráveis provas do seu amor. Assim seja.

“Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?”

 VISITA?AO DE NOSSA SENHORA A SANTA ISABEL_1.JPG

Depois de ter sido visitada pelo anjo, Maria foi a correr ter com a sua prima Isabel, que estava grávida. E a criança que ia nascer, João Batista, saltou de alegria no seio de Isabel. Que maravilha! Deus todo poderoso escolheu uma criança que ia nascer para anunciar a vinda do Seu Filho! Pelo mistério da Anunciação e da Visitação, Maria representa o próprio modelo da vida que devíamos levar. Primeiro, acolheu Jesus na sua existência; depois, partilhou o que recebeu. Cada vez que recebemos a Sagrada Comunhão, Jesus, o Verbo, torna-Se carne na nossa vida - dom de Deus, ao mesmo tempo belo, gracioso, singular. Assim foi a primeira Eucaristia: o oferecimento por Maria do seu Filho, que estava nela, nela em quem Ele tinha estabelecido o primeiro altar. Maria, a única que podia afirmar com absoluta confiança: «Isto é o meu corpo», ofereceu, a partir deste primeiro momento, o seu próprio corpo, a sua força, todo o seu ser, para a formação do Corpo de Cristo. A nossa Mãe, a Igreja, elevou as mulheres a uma grande honra diante de Deus, ao proclamar Maria Mãe da Igreja.

(Madre Teresa de Calcutá via Evangelho Quotidiano)

Maria,a obra-prima de Deus


Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cuja posse e conhecimento ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho o qual quis humilhá-la e escondê-la durante a vida para favorecer a sua humildade. Para este fim tratava-a pelo nome de “Mulher” (Jo 2,4; 19,26), como a uma estranha, embora no seu coração a estimasse mais do que a todos os anjos e a todos os homens.
Maria é a fonte selada e a esposa do Espírito Santo, onde só Ele tem entrada. Maria é o santuário e o repouso da Santíssima Trindade, onde Deus está mais magnifica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem excetuar sua morada acima dos querubins e serafins. Neste santuário nenhuma criatura, por mais pura que seja, pode entrar, a não ser por grande privilégio.
(São Luiz Maria Grignion de Montfort – Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n.5)

Oração a Jesus

 

"Jesus, Que nada me separe de Ti, nem a vida, nem a morte. Seguindo-Te em vida, ligado a Ti com todo amor, seja-me concedido expirar contigo no Calvário, para subir contigo à glória eterna; Seguirei contigo nas tribulações e nas perseguições, para ser um dia digno de amar-Te na revelada glória do Céu; para cantar-Te um hino de agradecimento por todo o Teu sofrimento por mim. Jesus, Que eu também enfrente como Tu, com serena paz e tranqüilidade, todas as penas e trabalhos que possa encontrar nesta terra; uno tudo aos Teus méritos, às Tuas penas, às Tuas expiações, às Tuas lágrimas, a fim de que colabore contigo para a minha salvação e para fugir de todo o pecado - causa que Te fez suar sangue e Te reduziu à morte. Destrói em mim tudo o que não seja do Teu agrado. Com o fogo de Tua santa caridade, escreve em meu coração todas as Tuas dores. Aperta-me fortemente a Ti, Com um nó tão estreito e tão suave, que eu jamais Te abandone nas Tuas dores. Amém!" (Padre Pio de Pietrelcina)

Ressurexit, sicut dixit, alleluia!

 

 

Ó Morte, onde está tua vitória?

 

Aleluia!

 

Jesus ressuscitou como disse!

 

Aleluia!

As Lições da Paixão

Quero que aprendas três lições de minha paixão e morte.

A primeira é o horror ao pecado. Foi ele que trouxe a brutalidade, a selvageria, o ódio que culminaram em minha crucifixão. O pecado desencadeou o mal e a morte.

(…)

A segunda lição é que conformes tua vida com a vontade divina, mesmo sob as consequências do pecado. É vontade de meu Pai que as pessoas sejam livres. E, embora esta liberdade, pervertida pelo pecado, me tenha sido causa dos piores sofrimentos, eu os aceitei.

(…)

A terceira lição é que podes suportar todos os assaltos do pecado contra ti, se confiares plenamente em mim. Foi assim que os santos aceitaram o martírio. Tu também poderás aceitá-lo, se essa for a vontade de meu Pai.

O sofrimento é necessário para levar o espírito e o corpo à sujeição. serás escravo ou senhor de tuas paixões. Quando aceito, o sofrimento liberta.

(…)

Embora minha alma tenha mergulhado numa tristeza sem medidas, a ponto de eu pedir ao Pai que afastasse aquele cálice, contudo tive uma consolação: pensar em minha mãe, meus santos e em ti. Tu me entenderias, serias fiel, e teu amor seria maior do que o ódio dos carrascos. (…)

Isto me consolou. E sabendo que foi assim, podes continuar a decepcionar-me e a pecar, deliberadamente?

(ENZLER, Clarence J. Cristo minha vida. 34 ed. São Paulo: Paulinas, 2001.)

Sobre o Jejum

sobre o Jejum

O que pode ser mais eficaz do que o jejum? Por sua observância nos aproximamos de Deus e, resistindo ao diabo, triunfamos da sedução dos vícios. O jejum sempre foi um alimento para a virtude. Da abstinência, enfim, procedem os pensamentos castos, a vontade reta, conselhos saudáveis; e pela mortificação voluntária do corpo, damos morte à concupiscência da carne, renovando o espírito pela prática das virtudes.

Mas como a salvação de nossas almas não é conquistada apenas pelo jejum, completemo-lo pela misericórdia para com os pobres. Seja abundante em generosidade o que retiramos ao prazer; que a abstinência dos que jejuam reverta para o alimento dos pobres. Pensemos na defesa das viúvas, no socorro dos órfãos, na consolação dos que choram, na paz aos revoltosos. Que o peregrino seja recebido, que o oprimido seja ajudado, que o nu seja vestido, que o doente seja curado, a fim de que, todos os que oferecerem o sacrifício de nossa piedade, por estas boas obras, a Deus, autor de todos estes bens, mereçam receber Dele, o prêmio do Reino Celeste.

(São Leão Magno, sermão sobre o jejum)

Fonte: http://www.capela.org.br/indicesantos.htm

Sermão sobre a quaresma

São Leão Magno

Evangelho: S. Mateus 4, 1-11

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre. É, sem dúvida, uma preparação que deve ser feita em todos os tempos: impedir, por uma vigilância constante, a aproximação dos espertíssimos inimigos. Mas é preciso aperfeiçoar essa vigilância com ainda mais cuidado, e organizá-la com maior zelo, nesta época do ano, quando nossos pérfidos inimigos redobram também a astúcia de suas manobras. Eles sabem muito bem que esses são os dias da santa Quaresma e que passamos a Quaresma castigando todas as molezas, apagando todas as negligências do passado; usam então de todo o poder de sua malícia para induzir em alguma impureza aqueles que querem celebrar a santa Páscoa do Senhor; mudar para ocasião de pecado o que deveria ser uma fonte de perdão.

Meus caros irmãos, entramos na Quaresma, isto é, em uma fidelidade maior ao serviço do Senhor. É como se entrássemos em um combate de santidade. Então preparemos nossas almas para o combate das tentações e saibamos que quanto mais zelosos formos por nossa salvação, mais violentamente seremos atacados por nossos adversários. Mas aquele que habita em nós é mais forte do que aquele que está contra nós. Nossa força vem d’Aquele em quem pomos nossa confiança. Pois se o Senhor se deixou tentar pelo tentador foi para que tivéssemos, com a força de seu socorro, o ensinamento de seu exemplo. Acabaste de ouvi-lo. Ele venceu seu adversário com as palavras da lei, não pelo poder de sua força: a honra devida a sua humanidade será maior, maior também a punição de seu adversário se Ele triunfa sobre o inimigo do gênero humano não como Deus, mas como homem. Assim, Ele combateu para que combatêssemos como Ele; Ele venceu para que também nós vencêssemos da mesma forma. Pois, meus caríssimos irmãos, não há atos de virtude sem a experiência das tentações, a fé sem a provação, o combate sem um inimigo, a vitória sem uma batalha. A vida se passa no meio das emboscadas, no meio dos combates. Se não quisermos ser surpreendidos, é preciso vigiar; se quisermos vencer, é preciso lutar. Eis porque Salomão, que era sábio, diz: Meu filho, quando entras para o serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação (Eclo. 2,1). Cheio da sabedoria de Deus, sabia que não há fervor sem combate laborioso; prevendo o perigo desses combates, anunciou-os de antemão para que, advertidos dos ataques do tentador, estivéssemos preparados para aparar seus golpes.

(São Leão Magno, sermão sobre a Quaresma)

Fonte: http://www.capela.org.br/Santos/leao_quaresma.htm

Oração, esmola e jejum

São Pedro Crisólogo

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.

Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Profeta: “O sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado” (Sl 50,19).

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros,para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.

(São Pedro Crisólogo, sermão A Oração, o Jejum e a Esmola)

Fonte: http://didascalion.tk/

Ação de Graças depois da Comunhão


Papa Bento XVI, Comunhão na boca
Eu vos dou graças, ó Senhor, Pai Santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, porque sem mérito algum de minha parte, mas somente pela condescendência de Vossa misericórdia, Vos dignaste saciar-me, a mim pecador, Vosso indigno servo, com o sagrado Corpo e o precioso Sangue do Vosso Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
E peço que esta Santa Comunhão não me seja motivo de castigo, mas salutar garantia de perdão. Seja para mim armadura de fé, escudo de boa vontade, e libertação dos meus vícios.Extinga em mim a concupiscência e os maus desejos, aumente a caridade e a paciência, a humildade e a obediência, e todas as virtudes.
Defenda-me eficazmente contra as ciladas dos inimigos, tanto visíveis como invisíveis. Pacifique inteiramente todas as minhas paixões, unindo-me firmemente a Vós, Deus Uno e Verdadeiro, feliz consumação de meu destino.
E peço que Vos digneis conduzir-me, a mim, pecador, àquele inefável convívio em que Vós com o Vosso Filho e o Espírito Santo, sois para os Vossos Santos a luz verdadeira, a plena saciedade e a eterna alegria, a ventura completa e a felicidade perfeita.
Por Cristo, Nosso Senhor.
Amém.
(São Tomás de Aquino)

Solilóquio de Amor

Tarde Te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei! Eis que estavas dentro de mim, e eu lá fora a Te procurar! Eu, disforme, me atirava à beleza das formas que criaste. Estavas comigo, e eu não estava em Ti. Retinham-me longe de Ti aquilo que nem existiria, se não existisse em Ti. Tu me chamaste, gritaste por mim, e venceste minha surdez. Brilhaste, e Teu esplendor venceu minha cegueira. Exalaste Teu perfume: respirei-o e suspiro por Ti. Eu Ti saboreei, e agora tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e o desejo de Tua paz me inflama.

(Santo Agostinho. In: Confissões, X, XXVII. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 235.)

O sofrimento e o “silêncio” de Deus

A Cruz de pé no Haiti

A familiaridade com o Deus pessoal e o abandono à sua vontade impedem a degradação do homem, salvam-no da prisão de doutrinas fanáticas e terroristas. Um comportamento autenticamente religioso evita que o homem se arvore em juiz de Deus, acusando-O de permitir a miséria sem sentir compaixão pelas suas criaturas. Mas, quem pretender lutar contra Deus tomando como ponto de apoio o interesse do homem, sobre quem poderá contar quando a ação humana se demonstrar impotente?

É certo que Jó pôde lamentar-se com Deus pelo sofrimento, incompreensível e aparentemente injustificado, presente no mundo. Assim se exprime ele na sua dor: “Oh! Se pudesse encontrá-Lo e chegar até ao seu próprio trono! (...) Saberia o que Ele iria responder-me e ouviria o que Ele teria para me dizer. Oporia Ele contra mim o seu grande poder? (...) Por isso, a sua presença me atemoriza; contemplo-O e tremo diante d'Ele. Deus enervou o meu coração, o Omnipotente encheu-me de terror” (23, 3.5-6. 15-16). Muitas vezes não nos é concedido saber o motivo pelo qual Deus retém o seu braço, em vez de intervir. Aliás Ele não nos impede sequer de gritar, como Jesus na cruz: “Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?” (Mt 27, 46). Num diálogo orante, havemos de lançar-Lhe em rosto esta pergunta: “Até quando esperarás, Senhor, Tu que és santo e verdadeiro?” (Ap 6, 10). Santo Agostinho dá a este nosso sofrimento a resposta da fé: “Si comprehendis, non est Deus – se O compreendesses, não seria Deus”. O nosso protesto não quer desafiar a Deus, nem insinuar n'Ele a presença de erro, fraqueza ou indiferença. Para o crente, não é possível pensar que Ele seja impotente, ou então que “esteja a dormir” (cf. 1 Re 18, 27). Antes, a verdade é que até mesmo o nosso clamor constitui, como na boca de Jesus na cruz, o modo extremo e mais profundo de afirmar a nossa fé no seu poder soberano. Na realidade, os cristãos continuam a crer, não obstante todas as incompreensões e confusões do mundo circunstante, “na bondade de Deus e no seu amor pelos homens” (Tt 3, 4). Apesar de estarem imersos como os outros homens na complexidade dramática das vicissitudes da história, eles permanecem inabaláveis na certeza de que Deus é Pai e nos ama, ainda que o seu silêncio seja incompreensível para nós.

(Bento XVI, Carta Encíclica Deus Caritas Est, n. 37-38)

Escute-O dizer lhe: “Tenho sede”

Jesus na cruz: "tenho sede"

“Em Sua agonia, em Sua dor, em Sua solidão, Ele disse bem claro: ‘Por que me abandonaste?’ Ele estava terrivelmente só e esquecido, sofrendo na cruz… Neste momento tão difícil proclamou: “Tenho sede"’… e as pessoas pensaram que Ele estava sedento de maneira comum e, imediatamente deram-Lhe vinagre; mas não era disto que Ele tinha sede – era do nosso amor, nosso afeto, esse íntimo apego a Ele, esse compartilha Sua paixão. E é estranho que Ele usou tal palavra. Ele usou ‘Tenho sede’ invés de ‘Dê-me seu amor’…A sede de Jesus na cruz não é imaginação. Foi um palavra: ‘Tenho sede’. Escutemos-O dizendo isso a mim e dizendo isso a você…realmente é um dom de Deus.”

“Se você escutar com seu coração, você ouvirá, você entenderá… Até você saber no seu íntimo que Jesus tem sede de você, não poderá começar a conhecer quem Ele quer ser para você. Ou quem Ele quer que você seja para Ele.”

“Siga Seus passos em busca de almas. Leve-O e a Sua Luz dentro das casas dos pobres, especialmente às almas mais necessitadas. Espalhe a caridade do Seu coração aonde quer que vá e assim sacie Sua sede de almas.”

(Madre Teresa de Calcutá)

A Conversão de São Paulo e a nossa

São Paulo

“Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui educado nesta cidade, instruído aos pés de Gamaliel, em todo o rigor da Lei dos nossos pais e cheio de zelo pelas coisas de Deus, como todos vós sois agora. Persegui de morte esta «Via», algemando e entregando à prisão homens e mulheres, como o podem testemunhar o Sumo Sacerdote e todos os anciãos. Recebi até, da parte deles, cartas para os irmãos de Damasco, onde ia para prender os que lá se encontrassem e trazê-los agrilhoados a Jerusalém, a fim de serem castigados. Ia a caminho, e já próximo de Damasco, quando, por volta do meio dia, uma intensa luz, vinda do Céu, me rodeou com a sua claridade. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, porque me persegues?’ Respondi: ‘Quem és Tu, Senhor?’ Ele disse-me, então: ‘Eu sou Jesus de
Nazaré, a quem tu persegues.’ Os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz de quem me falava. E prossegui: ‘Que hei-de fazer, Senhor?’ O Senhor respondeu-me: ‘Ergue-te, vai a Damasco, e lá te dirão o que se determinou que fizesses.’ Mas, como eu não via, devido ao brilho daquela luz, fui levado pela mão dos meus companheiros e cheguei a Damasco. Ora um certo Ananias, homem piedoso e cumpridor da Lei, muito respeitado por todos os judeus da cidade, foi procurar-me e disse: ‘Saulo, meu irmão, recupera a vista.’ E, no mesmo instante, comecei a vê-lo. Ele prosseguiu: ‘O Deus dos nossos pais predestinou-te para conheceres a sua vontade, para veres o Justo e para ouvires as palavras da sua boca, porque serás testemunha diante de todos os homens, acerca do que viste e ouviste. E agora, porque esperas? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome.” (Atos dos Apóstolos 22, 3-16)

“Paulo aprende o que deve fazer: se ficou cego, se a luz do mundo lhe foi subtraída durante um certo tempo, foi para que no seu coração brilhasse a luz interior. A luz é retirada ao perseguidor para ser dada ao pregador; no próprio momento em que não via nada deste mundo, viu Jesus. É um símbolo para os crentes: aqueles que crêem em Deus devem fixar n'Ele o olhar da sua alma sem ter em consideração coisas exteriores.”[1] (Santo Agostinho)

“A Conversão de São Paulo é um grande acontecimento: ele passa de perseguidor a convertido, isto é, a servidor e defensor da causa de Cristo. Muitas vezes talvez, também nós mesmos nos fazemos de “perseguidores”: como São Paulo, devemos nos converter de “perseguidores” a servidores e defensores de Jesus Cristo. Com Santa Maria, reconhecemos que o Altíssimo também tem prestado atenção em nós e nos tem escolhido para participar na missão sacerdotal e redentora de seu Filho divino: Regina Apostolorum, Rainha dos apóstolos, rogai por nós!; fazei-nos valentes para dar testemunho de nossa fé cristã no mundo que devemos viver.”[2]

“Recebemos de Deus a graça da conversão. Mesmo aqueles que foram batizados ao nascerem e que cresceram num ambiente cristão e católico, podem se converter.Faziam por hábito apenas e sem colocarem vida e responsabilidade. Agora podem assumir de maneira inteiramente diversa. Não se pode chamar a isto conversão também? (…) Houve um período que você terá sentido a mão de Deus, que o arrancava destas trevas e o conduzia para a Luz e para o Reino de seu Filho Amado?Não houve merecimento algum da nossa parte. Cada um pode perceber este triunfo da graça de Deus em sua própria vida. Você terá feito a mesma experiência de Paulo.”[3]

_________________

[1] Santo Agostinho de Hipona

[2] Rev. D. Josep GASSÓ i Lécera, Espanha

[3] Pe. Fernando Cardoso

“Tomai, Senhor, e recebei…”

Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade e a minha memória também.

O meu entendimento e toda a minha vontade.

Tudo que tenho e possuo, Vós me destes com amor.

Todos os dons que me destes, com gratidão Vos devolvo.

Dispondes deles, Senhor, segundo a Tua vontade.

Dai-me somente o Vosso amor, Vossa graça.

Isso me basta, nada mais quero pedir.

(Santo Inácio de Loyola)

Felicidade, mártir em Cartago em 203

[Felicidade é uma escrava, companheira de prisão e de martírio da nobre Perpétua. Do longo relato de sua captura e de sua execução cita-se frequentemente esta passagem, que evoca a presença de Cristo naquele que morre por sua fé.]

Felicidade obteve do Senhor uma grande graça. Ela estava grávida de oito meses no momento de sua captura. Com a aproximação do dia dos jogos, ela se desolava, considerando que seu martírio seria adiado por causa de seu estado: a lei proibia que se executassem as mulheres grávidas. Ela temia também que seu sangue puro e sem mácula fosse derramado mais tarde juntamente com um bando de criminosos. Seus companheiros de martírio estavam profundamente tristes diante da perspectiva de deixar só uma companheira tão boa, uma amiga que com  eles caminhava na direção da mesma esperança.

Dessa maneira, três dias antes dos jogos, todos em conjunto, numa súplica comum, dirigiram ao Senhor a sua oração. Mal tinham terminado o seu pedido, as dores se apoderaram de Felicidade.  Em função da dificuldade natural de um parto no oitavo mês, ela sofria muito e gemia. Então, um dos carcereiros lhe disse: “Se gemes assim agora, que farás quando te lançarem às feras, que afrontastes ao te recusares a fazer sacrifício?” Felicidade lhe respondeu: “Agora sou eu que sofro o que sofro. Mas, lá embaixo, haverá um outro em mim que sofrerá por mim, porque é por ele que sofrerei”.

(Citado por Jean Comby in História da Igreja, vol. I, Ed. Loyola, pág. 45)

A vida dos primeiros cristãos

“Não se distinguem os cristãos dos demais, nem pela região, nem pela língua, nem pelos costumes. Não habitam cidades à parte, não empregam idiomas diversos dos outros, não levam gênero de vida extraordinária. A doutrina que se propõem não foi excogitada solicitamente por homens curiosos. não seguem opinião humana alguma, como vários o fazem.

(…) Seguem os costumes locais relativamente  ao vestuários, à alimentação a os restante estilo de viver, apresentando um estado de vida [político] admirável e sem dúvida paradoxal. moram na própria pátria, mas como peregrinos. Enquanto cidadãos, de tudo participam, porém tudo suportam como estrangeiros. (…) Casam-se como todos os homens e como todos procriam, mas não rejeitam os filhos. A mesa é comum, não o leito.

Estão na carne, mas não vivem segundo a carne. se a vida deles decorre na terra, a cidadania, contudo, está nos céus. Obedecem às leis estabelecidas, todavia superam-nas pela vida.

Amam a todos, e por todos são perseguidos. Desconhecidos, são condenados. São mortos e com isso se vivificam.

Pobres, enriquecem a muitos. Tudo lhes falta, e têm abundância de tudo. Tratado sem honra, e nestas desonras são glorificados. São amaldiçoados, mas justificados. Amaldiçoados e bendizem. Injuriados e tributam honras. Fazem o bem e são castigados qual malfeitores (…).

Para simplificar, o que é a alma no corpo, são no mundo os cristãos. (…) Residem no mundo, mas não são do mundo.”

Carta a Diogneto. Cap. V e VI.

“Então o céu rasgou-se”

Cristo é iluminado pelo batismo, resplandeçamos com Ele; Ele é mergulhado na água, desçamos com Ele para emergir com Ele. [...] João está a batizar e Jesus aproxima-Se: talvez para santificar aquele que O vai batizar; certamente para sepultar o velho Adão no fundo da água. Mas, antes disso e com vista a isso, Ele santifica o Jordão. E, como Ele é espírito e carne, quer poder iniciar pela água e pelo Espírito. [...] Eis Jesus que emerge da água. Com efeito, Ele carrega o mundo; fá-lo subir conSigo. «Ele vê os céus rasgarem-se e abrirem-se» (Mc 1,10), ao passo que Adão os tinha fechado, para si e para a sua descendência, quando foi expulso do paraíso que a espada de fogo defendia. Então o Espírito revela a Sua divindade, pois dirige-Se para Aquele que tem a mesma natureza. Uma voz desce do céu para dar testemunho Daquele que do céu vinha; e, sob a aparência de uma pomba, honra o corpo, pois Deus, ao mostrar-Se sob uma aparência corpórea, diviniza igualmente o corpo. Foi
assim que, muitos séculos antes, uma pomba veio anunciar a boa nova do fim do Dilúvio (Gn 8,11). [...]
Quanto a nós, honremos hoje o batismo de Cristo e celebremos esta festa de um modo irrepreensível. [...] Sede inteiramente purificados e purificai-vos sempre. Pois nada dá tanta alegria a Deus como a recuperação e a salvação
do homem: é para isso que tendem todas estas palavras e todo este mistério. Sede «como fontes de luz no mundo» (Fil 2,15), uma força vital para os outros homens. Como luzes perfeitas secundando a grande Luz, iniciai-vos na vida de luz que está no céu; sede iluminados com mais claridade e brilho pela Santíssima Trindade.

(São Gregório Nazianzeno, bispo e doutor da Igreja)

Fonte: www.evangelhoquotidiano.org

Os Magos

“Alguns dias depois, três magos chegaram da Caldéia e se ajoelharam diante de Jesus. Vinham talvez de Ecbátana ou das margens do Cáspio, no dorso dos camelos, com os alforges cheios pendentes das selas; passando a vau o Tigre e o Eufrates, atravessando o deserto dos Nômades e costeando o Mar Morto.
Uma estrela nova – semelhante ao cometa que anunciava por vezes o nascimento de um profeta ou a morte de um César – conduzira-os ao país judeu; vieram para adorar um rei e encontraram um infante no estábulo.
Quase mil anos antes deles, viera também, do Oriente para a Judéia, uma rainha carregada de presentes: ouro, perfumes e pedras preciosas. Mas encontrara no seu trono o maior dos reis de Israel e da sua boca ouvira o que jamais ninguém lhe havia ensinado. E os magos, mais sábios que os reis, encontraram apenas um recém-nascido, incapaz de interrogar ou responder, um menino que, quando se tornasse homem, desprezaria os tesouros materiais e a ciência da matéria. Os magos eram, na Pérsia e na Média, não reis, mas senhores dos reis; guiavam os governadores do povo. Eram os sacrificadores, os intérpretes dos sonhos, os adivinhos, os ministros, os únicos intermediários entre o povo e Ahura Mazda, o Deus bom; só eles conheciam o futuro; com as suas mãos matavam os animais inimigos do homem: as serpentes, os insetos nocivos e as aves nefastas. Purificavam as almas e os campos; Deus só se comprazia com os seus dons e os reis não declaravam guerra sem ouvi-los. Possuíam os segredos da terra e do céu e eram, ao mesmo tempo, os dominadores da pátria em nome da religião e da sabedoria.
Representavam o Espírito no meio do povo que vivia para a Matéria. Era justo que viessem pois adorar a Jesus. Após os animais que são a Natureza e os pastores que são o povo, este outro poder: a sabedoria ajoelhava-se diante do presépio de Belém. A velha casta sacerdotal do Oriente submeteu-se ao novo senhor que veio evangelizar o Ocidente: seus padres inclinavam-se diante daquele que com a nova ciência do Amor dominará a ciência das palavras e dos números. Os magos em Belém representam as teologias antigas reconhecendo a Revelação definitiva, o saber humilhando-se diante da Inocência, a riqueza aos pés da Pobreza. Oferecem a Jesus o ouro que ele desprezará: e não o oferecem por vê-lo pobre, mas para seguir de antemão o conselho evangélico: vende tudo o que possuis e dá-o aos pobres.
Não lhe ofertam incenso para perfumar o estábulo, mas porque vão acabar-se os seus ritos e os fumos e perfumes serão então inúteis nos seus altares. Oferecem-lhe a mirra que serve para embalsamar os mortos, porque sabem que, devendo o Filho morrer, a Mãe, hoje sorridente, deverá embalsamar-lhe o cadáver.
Ajoelhados sobre a palha, envolvidos em suntuosos mantos, eles que são doutos, adivinhos e poderosos, se oferecem a si mesmos, como penhor da obediência do mundo. Jesus obteve então todas as investiduras a que tinha direito. Com a partida dos magos começa para ele a perseguição daqueles que o odeiam e o odiarão até a morte.”
(Giovanni Papini, Storia di Cristo via Blog Spes in Alium)

Santa Maria, Mãe de Deus

"Salve, Maria, Mãe de Deus, veneradíssimo tesouro de todo o círculo, tocha inextinguível, coroa da virgindade, trono da reta doutrina, templo indestrutível, pequena habitação daquele que não pode ser contido em lugar algum, Virgem e Mãe por quem nos deu o chamado nos Evangelhos bendito o que vem em nome do Senhor.

Salve, você que encerrou em seu seio virginal ao que é imenso e inacabável. Você, por quem a Santíssima Trindade é adorada e glorificada. Você, por quem a cruz preciosa é celebrada e adorada em todo mundo. Você, por quem exulta o céu, alegram-se os anjos e arcanjos, fogem os demônios, por quem o diabo tentador foi arrojado do céu, e a criatura, queda pelo pecado, é elevada ao céu...

Quem de entre os homens será capaz de elogiar como se merece a Maria, digna de tudo louvor? É Virgem e Mãe: que maravilha! Este milagre me enche de estupor. Quem ouviu jamais dizer que ao construtor de um templo se o proíba entrar nele? Quem poderá tachar de ignomínia a quem toma a sua própria pulseira por Mãe?

Nós temos que adorar e respeitar a união do Verbo com a carne, temos que ter temor de Deus e dar culto a Santa Trindade, temos que celebrar com nossos hinos a Maria, a sempre Virgem, templo santo de Deus, e a seu Filho, o Marido da Igreja, nosso Senhor Jesus Cristo. a glória pelos séculos dos séculos. Amém."

 

São Cirilo de Alexandria, século V, em Homilia no Concílio de Éfeso

Fonte: ACI Digital

Theotokos – Louvores à Virgem


“Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou?” (S. Cirilo de Alexandria)

 
“A Virgem gerou a Luz, sem ficar com nenhum sinal, como a sarça que ardia ao fogo sem se consumir.” (S. Efrem)

 
“Quem ama ardentemente alguma coisa costuma trazer seu nome nos lábios e nela pensar noite e dia. Não se me censure, pois, se pronuncio este terceiro panegírico da Mãe de meu Deus, como oferenda em honra de sua partida. Isto não será favor para ela mas servirá a mim mesmo e a vós, aqui presentes… Não é Maria que precisa de elogios, nós é que precisamos de sua glória. Um ser glorificado, que glória pode receber ainda? a fonte da luz, como será iluminada ainda?” (S. João Damasceno)¹
 
Chamada nos evangelhos ‘a Mãe de Jesus’ (Jo 2, 1; 19, 25)(150), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo e desde antes do nascimento do seu Filho, como «a Mãe do meu Senhor» (Lc 1, 43). Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus (‘Theotokos’)”²
“Alegra-te, porque te tornas o trono e o palácio do Rei.
Alegra-te: tu levas em ti Aquele que tudo pode.
Alegra-te, estrela que anuncias o nascer do Sol.
Alegra-te, porque em teu seio Deus tomou a nossa carne.
Alegra-te: por ti, toda a criação é renovada.
Alegra-te: por ti, o Criador fez-se menino.
Alegra-te, Esposa que não foste desposada. (…)

Alegra-te: a ti Deus revela os seus desígnios inefáveis.
Alegra-te, confiança dos que rezam em silêncio.
Alegra-te: tu és a primeira das maravilhas de Cristo.
Alegra-te: em ti são recapituladas as doutrinas divinas.
Alegra-te, escada pela qual Deus desce do Céu.
Alegra-te, ponte que nos conduz da terra ao Céu. (…)

Alegra-te, Esposa que não fostes desposada.”                                                                                                                                           Hino Bizantino Acatistos à Mãe de Deus³

 
 
²Catecismo da igreja Católica - §495
 
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